China aumenta alertas sobre riscos e possíveis casos de espionagem envolvendo cripto. Cingapura lidera o crescimento cripto na Ásia; Coreia do Sul, Hong Kong e Japão avançam em normas e interoperabilidade.
Uma série de movimentos no mercado e nas estruturas regulatórias da Ásia está redesenhando o mapa das criptomoedas na região. Enquanto autoridades chinesas intensificam alertas sobre riscos associados às moedas digitais, Cingapura registra crescimento robusto em sua economia cripto e a Coreia do Sul avalia mudanças para permitir formadores de mercado. Ao mesmo tempo, provedores de serviços e reguladores em Hong Kong e no Japão avançam em interoperabilidade e supervisão.
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O Ministério da Segurança do Estado (MSS) da China endureceu sua retórica sobre os riscos das criptomoedas, destacando seu papel em crimes e ressaltando que as transações não são realmente anônimas. Agentes de inteligência publicaram um artigo nas redes sociais afirmando que as criptomoedas são usadas para facilitar a lavagem de dinheiro e ataques cibernéticos, além de servirem como “cúmplices” em atividades de espionagem. O MSS afirmou que as criptomoedas são frequentemente usadas por “forças hostis anti-China no exterior” para desestabilizar a ordem financeira e prejudicar a segurança nacional.
“Estamos monitorando a blockchain”
O alerta foi encaminhado como mensagem a possíveis espiões estrangeiros que acreditam que pagamentos em cripto poderiam passar despercebidos. O texto destacou que, embora o aviso seja válido para a maioria das criptomoedas como Bitcoin e Ethereum, moedas com foco em privacidade, como Monero e Zcash, podem ser completamente privadas quando usadas corretamente. A China já havia proibido atividades relacionadas a cripto em fases anteriores, com proibição de exchanges em 2017 e da mineração em 2021, além de ter declarado ilegais algumas empresas do setor.
Em paralelo, a economia cripto de Cingapura cresce 55,4%, alcançando US$ 284 bilhões no ano encerrado em junho de 2026, contrariando uma contração regional e recuperando a posição como a maior economia cripto da região CSAO (Ásia Central e Sudeste da Ásia e Oceania). Grande parte desse crescimento veio da atividade de plataformas institucionais, que aumentou 94% e totalizou US$ 60 bilhões, concentrada em um pequeno número de formadores de mercado, mesas de balcão e corretoras institucionais.
“O crescimento do ecossistema de plataformas institucionais de Singapura foi muito concentrado e marcado principalmente por atividades de alto volume de plataformas existentes, e não pela entrada dinâmica de novos serviços”
Autoridades sul-coreanas também estão em movimento. A Comissão de Serviços Financeiros (FSC) da Coreia do Sul afirmou que está considerando um sistema de formação de mercado para ativos digitais, depois que uma stablecoin lastreada em iene japonês (JPYC) foi negociada a valores muito acima do referencial em uma grande exchange sul-coreana. A exchange Upbit abriu a negociação da JPYC em 17 de setembro, com o mercado abrindo a 12 wons por JPYC e atingindo uma máxima de 37,6 wons apenas uma hora depois, um salto atribuído à liquidez limitada na plataforma.
“Também analisaremos a necessidade de introduzir sistemas como atividades de formação de mercado para aumentar a eficiência e a estabilidade do cenário de ativos digitais”
Uma empresa norte-americana de pagamentos lançou uma subsidiária sul-coreana para trabalhar com instituições locais em remessas, pagamentos, liquidações e distribuição de ativos digitais, mas ainda não recebeu aprovações necessárias. No Japão, um serviço de pagamentos cripto permitirá que usuários estrangeiros elegíveis gastem mais de 100 criptomoedas na grande maioria dos estabelecimentos compatíveis com o PayPay a partir de quarta-feira, por meio da estrutura de interoperabilidade HIVEX, que liquida com o serviço local usando Tether USDt como camada de retaguarda.
Reguladores em Hong Kong também avançaram: a Comissão de Valores Mobiliários e Futuros (SFC) e o Conselho de Contabilidade e Relatórios Financeiros (AFRC) assinaram acordo para ampliar cooperação em relatórios financeiros e auditorias de empresas cripto licenciadas, estabelecendo uma estrutura para compartilhamento de informações e encaminhamento de casos. Juntos, esses movimentos mostram uma combinação de vigilância, crescimento institucional e esforços regulatórios cuja convergência deve moldar o próximo estágio do ecossistema cripto na Ásia.
Fonte: Cointelegraph Brasil
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