O candidato propôs que os próprios delegados indiquem três nomes para a escolha do chefe da Polícia Federal. A fala veio ao ser questionado sobre a decisão de Flávio Dino de restabelecer Andrei; Cury disse que não vai questioná-la.
Nesta quarta-feira (9), o candidato à Presidência Augusto Cury (Avante) defendeu que a escolha do diretor-geral da Polícia Federal seja feita a partir de uma lista tríplice elaborada pelos próprios delegados da corporação. A proposta foi apresentada depois que Cury foi questionado sobre a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), de restabelecer Andrei no comando da PF.
Cury evitou avaliar diretamente a decisão do ministro.
“Eu não vou questionar a questão do Flávio Dino”
Em seguida, o candidato afirmou que o modelo de escolha do chefe da Polícia Federal deveria ser alterado com o objetivo de reduzir interferências externas sobre a corporação e aumentar sua autonomia institucional. Segundo ele, a mudança daria à instituição maior independência e equidade no processo de nomeação.
“Para não haver interferência na Polícia Federal, deveria haver uma lista tríplice de delegados federais, escolhida pelos próprios delegados federais, e o presidente escolhe um delegado a partir desta lista tríplice”
Cury descreveu a proposta como um mecanismo de proteção da Polícia Federal contra influências partidárias e governamentais:
“É muito mais justo, é muito mais independente, porque a Polícia Federal é uma polícia de Estado, não é uma polícia de governo, não é uma polícia de partido”
O candidato também manifestou preocupação com o desgaste institucional do Supremo Tribunal Federal, sem ligar a observação diretamente à decisão sobre Andrei. Ele avaliou que o cenário atual vinha reduzindo a percepção de valorização do tribunal por parte da sociedade brasileira.
“O que está ocorrendo faz com que cada vez mais o STF esteja em níveis muito baixos de valorização por parte da sociedade brasileira”
Na exposição, Cury posicionou a lista tríplice como um instrumento prático para fortalecer a imparcialidade da Polícia Federal e resguardar a continuidade da atuação técnico-jurídica da corporação. A proposta abre espaço para um debate mais amplo sobre mecanismos de proteção institucional — incluindo critérios de escolha, formas de participação interna dos delegados e limites da interferência política — que deverão ser aprofundados caso ganhe adesão pública ou parlamentar.
O tema colocou em destaque a discussão sobre como equilibrar autonomia institucional e responsabilidades democráticas na escolha de cargos sensíveis de segurança pública, mantendo a necessidade de transparência e de adesão a normas que garantam a independência operacional da Polícia Federal.


Fonte: InfoMoney – Mercado
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