A Red Hook Studios, desenvolvedora da série Darkest Dungeon, afirmou categoricamente que não vai utilizar inteligência artificial para reproduzir a voz do ator Wayne June, narrador icônico dos jogos, falecido em janeiro de 2025.
A declaração partiu de Chris Bourassa, cofundador do estúdio, em uma resposta publicada no subreddit oficial do jogo. Bourassa garantiu aos fãs que a Red Hook jamais usará IA para tentar imitar a performance de June, classificando qualquer tentativa do tipo como uma erosão do legado deixado pelo ator.
“Jamais, em hipótese alguma, destruiria suas performances incríveis e atemporais ensinando uma máquina a soar como ele”, escreveu Bourassa. “Sua voz e sua entrega eram humanas, e sou eternamente grato por ter escrito para ele.”
Bourassa revelou ainda um detalhe revelador: em um de seus últimos e-mails, Wayne June chegou a conceder permissão para que o estúdio treinasse uma IA com sua voz — algo que o ator havia recusado firmemente ao longo de sua vida. Para o cofundador da Red Hook, June tentava colocar o jogo, a equipe e os fãs à frente de suas próprias convicções, oferecendo ao estúdio um “caminho a seguir”. A oferta foi recusada.
“Ele estava tentando colocar o jogo, a equipe e os fãs em primeiro lugar — nos oferecer uma ‘saída’. Eu recusei, e fizemos uma doação à família dele de qualquer forma”, explicou Bourassa.
Wayne June emprestou sua voz à franquia por dez anos, tendo participado do primeiro Darkest Dungeon, lançado em 2016, e da sequência, em 2023. Quando a morte do ator foi confirmada pela Red Hook em janeiro de 2025, Bourassa descreveu a experiência de escrever para June como “uma das maiores honras da minha vida”, acrescentando que, apesar de nunca tê-lo encontrado pessoalmente, o considerava um amigo.
Debate sobre IA e atores cresce no setor
A posição da Red Hook se insere em um debate cada vez mais acalorado sobre o uso de inteligência artificial para replicar vozes e imagens de artistas — vivos ou mortos. Em janeiro deste ano, Steve Downes, o ator por trás do Master Chief na franquia Halo, manifestou publicamente sua oposição a reproduções artificiais de sua voz, afirmando que a prática ultrapassa limites éticos.
Em 2024, o ator Robert Downey Jr. foi além e ameaçou processar qualquer executivo que recriasse sua imagem por meio de IA — mesmo após sua morte. Já o filme As Deep as the Grave gerou polêmica em 2025 ao anunciar que contaria com uma recriação em IA do ator Val Kilmer, falecido no ano anterior.
No campo das premiações, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas anunciou, neste mês, uma atualização em suas regras que proibirá performances geradas por inteligência artificial de concorrer ao Oscar a partir de 2027.
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