Pesquisa do Fed de Dallas indica que depósitos tokenizados — com liquidação instantânea e programabilidade — podem aumentar a volatilidade do financiamento bancário. Isso tende a elevar o custo do crédito para famílias e empresas.
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Economistas do Federal Reserve Bank de Dallas analisaram como a tokenização de depósitos — que permite liquidação instantânea e programabilidade — pode afetar a estabilidade do financiamento bancário e, por consequência, o custo de crédito para famílias e empresas dos EUA. As economistas Rosie Levy e Srini Ramaswamy disseram que depósitos mais rápidos e programáveis podem tornar mais volátil a permanência dos recursos nos bancos, ao facilitar movimentações em busca de melhores rendimentos.
Na avaliação das autoras, a liquidação instantânea e mecanismos automatizados, incluindo tokens de depósitos programáveis e inteligência artificial agêntica, poderiam acelerar transferências entre instituições. Elas apontaram que isso reduziria o tempo médio que depósitos ficam em cada banco e aumentaria a sensibilidade desses recursos às diferenças de taxa de juros, com impacto sobre a composição e o financiamento das carteiras bancárias.
As economistas estimaram dois cenários técnicos. No primeiro, se os depósitos se tornassem 10% mais sensíveis às taxas de juros, a capacidade dos bancos de manter empréstimos de longo prazo e outros ativos poderia cair em um equivalente de cerca de US$ 700 bilhões em um horizonte de 10 anos. Em um cenário alternativo, se os depósitos permanecessem nos bancos por 10% menos tempo, essa capacidade poderia reduzir-se em um equivalente de cerca de US$ 580 bilhões. As autoras deixaram claro que esses cálculos são cenários e não previsões, e que os números não representam cortes diretos, dólar por dólar, nos empréstimos bancários.
As mudanças ocorrem enquanto instituições financeiras trabalham para viabilizar redes de blockchain que permitam movimentar depósitos tokenizados mantendo os recursos dentro do sistema bancário regulado. Na terça-feira, trinta e nove associações bancárias estaduais dos EUA formaram a BankChain Alliance para desenvolver uma rede nacional que dê suporte a depósitos tokenizados, stablecoins e liquidação automatizada. Em paralelo, a The Clearing House está desenvolvendo outra rede, apoiada por grandes bancos como JPMorgan Chase, Bank of America, Citi, BNY e Wells Fargo.
As autoras também citaram exemplos práticos de integração internacional: em 20 de agosto, Standard Chartered e HSBC concluíram uma transação transfronteiriça ao vivo via registro de blockchain da Swift, conectando sistemas separados e registrando obrigações antes da liquidação pela infraestrutura de pagamentos existente.
Para responder a depósitos mais voláteis, Levy e Ramaswamy indicaram que os bancos poderiam aumentar carteiras de ativos altamente líquidos, como reservas e títulos do Tesouro dos EUA, ou recorrer mais a dívida de prazo no mercado atacadista — o que provavelmente elevaria os custos de crédito para consumidores e empresas. As autoras mencionaram ainda o sistema de pagamentos instantâneos brasileiro Pix como comparação, observando que ele não é idêntico à tokenização de depósitos; um estudo de 2025 apontou que uso mais intenso do Pix elevou reservas líquidas e reduziu a intermediação de crédito.
O debate sobre benefícios e riscos segue em pauta entre reguladores, empresas e instituições financeiras, enquanto testes e iniciativas de redes tokenizadas avançam no mercado.
Fonte: Cointelegraph Brasil
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