Na noite de sexta-feira, 29 de maio de 2026, os alunos da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) tomaram uma decisão significativa ao encerrar a greve que havia sido iniciada em abril. A votação, que contou com 694 participantes, resultou em 370 votos a favor do término da paralisação e 324 contra, marcando assim o fim de um movimento que interrompeu as aulas no tradicional Largo de São Francisco.
A greve teve início a partir de uma assembleia promovida pelo Centro Acadêmico XI de Agosto, realizada em 23 de abril, onde os estudantes aprovaram a paralisação com 902 votos favoráveis. Os estudantes levantaram uma série de reivindicações, entre elas a melhoria da infraestrutura da faculdade, a ampliação do benefício de permanência estudantil e a implementação de políticas afirmativas mais eficazes.
Um dos principais pontos discutidos ao longo da greve foi a situação do refeitório e das instalações físicas da faculdade. Os estudantes apresentaram um relatório evidenciando problemas estruturais, como carteiras danificadas, goteiras e mofo. Em resposta, a diretora Ana Elisa Liberatore Bechara ressaltou a importância do diálogo contínuo com os alunos para encontrar soluções adequadas.
“A gestão mantém uma postura de permanente diálogo e mobilização”, afirmou a diretora, destacando a escuta ativa dos estudantes.
Outro aspecto central das discussões envolveu o Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil, que visa apoiar alunos em situação de vulnerabilidade socioeconômica. A reitoria sugeriu um ajuste anual baseado na inflação, enquanto os estudantes defendiam um aumento alinhado ao salário mínimo paulista, atualmente em R$ 1.800.
Além das questões financeiras, a universidade também apresentou propostas para melhorar o funcionamento dos restaurantes universitários, sugerindo a formação de grupos de trabalho para discutir a qualidade dos serviços e a ampliação da oferta de refeições. Outras pautas incluíam a discussão sobre cotas para pessoas trans e indígenas nos processos seletivos.
Durante a greve de 35 dias, o clima de tensão aumentou com a invasão do prédio da reitoria por estudantes em 7 de maio, buscando pressionar a administração. Essa ação resultou na desocupação do prédio pela Polícia Militar três dias depois, com relatos de uso de gás lacrimogêneo e cassetetes durante a operação.
A paralisação, que afetou as aulas da graduação, não impediu a realização de atividades de pós-graduação e eventos programados, e o Centro Acadêmico organizou atividades alternativas, como rodas de conversa e exibições de filmes, durante o período sem aulas. Com a aprovação do encerramento da greve, a expectativa é que as atividades letivas sejam retomadas na Faculdade de Direito da USP, após um mês de interrupção.


