Declarações firmes do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, agitaram os mercados nesta quarta. O dólar se valorizou globalmente, reduzindo o apetite por ativos emergentes e pressionando o real.
No dia 17 de junho de 2026, o dólar apresentou um comportamento volátil, encerrando o dia cotado a R$ 5,10. Após um início de jornada em queda, a moeda norte-americana ganhou força nas últimas horas, acompanhando a valorização global do dólar. O tom firme das declarações do presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, durante uma coletiva de imprensa, teve um papel crucial nesse movimento, impulsionando as taxas dos Treasuries e diminuindo o apetite por ativos de risco, como ações e moedas de mercados emergentes.
O índice DXY, que mede o desempenho do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, apresentou uma alta significativa, superando a marca de 100,000 pontos e alcançando um pico de 100,500 pontos após as declarações de Warsh. As repercussões no mercado local foram rápidas e, embora o real tenha enfrentado dificuldades, seu desempenho foi relativamente melhor em comparação a outras moedas emergentes, como o peso mexicano e o rand sul-africano.
Na fase final de negócios, o dólar à vista não apenas mudou de trajetória, mas também iniciou uma escalada, chegando a atingir R$ 5,1217 no ponto mais alto do dia. No fechamento, a moeda norte-americana registrou uma alta de 0,41% em relação ao real, finalizando a R$ 5,1077, o que representa uma valorização de 0,91% na semana e de 1,28% em junho. No acumulado do ano, as perdas do dólar são de 6,95%.
Jacques Zylbergeld, superintendente de câmbio do Banco Rendimento, ressaltou que a expectativa de um dólar mais forte no cenário internacional, devido à possibilidade de aumento das taxas de juros nos Estados Unidos, deve dificultar a recuperação do real. Ele observou que o ambiente interno se tornou mais turbulento, especialmente com as denúncias envolvendo políticos no escândalo do Banco Master e o aumento das preocupações fiscais, especialmente com a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais.
“O Copom tende a anunciar um novo corte da Selic hoje, mas adotar um tom mais duro, porque as expectativas de inflação vão piorar. Vamos ter ainda um juro muito alto e um diferencial grande em relação ao exterior. Mas é preciso ver como o mercado vai absorver essa nova postura do Fed”, afirmou Zylbergeld.
O Federal Reserve decidiu manter a taxa básica de juros na faixa de 3,50% a 3,75%, em uma decisão unânime. Na sua primeira reunião sob a liderança de Kevin Warsh, o Fed divulgou um comunicado mais sucinto, mas contundente, enfatizando que a inflação permanece acima da meta, em parte devido ao choque de energia, e que a economia continua a mostrar um crescimento sólido com aumento do emprego.
No gráfico de pontos, que apresenta as projeções dos dirigentes do Fed para os indicadores econômicos, nove membros indicam a possibilidade de aumento da taxa de juros ainda este ano, enquanto oito optam pela manutenção e um prevê uma queda. A ferramenta de monitoramento do CME Group passou a indicar uma probabilidade superior a 60% de um aumento das taxas em outubro.
Kevin Warsh, em coletiva, reafirmou o compromisso do Fed com a estabilidade de preços, mas evitou fornecer orientações futuras. Ele também se esquivou de perguntas sobre contatos com o presidente Donald Trump, que o indicou para a posição no Fed. Trump, por sua vez, comentou que a elevação das taxas de juros pode ocorrer ainda este ano, elogiando Warsh como uma “ótima pessoa”.
A economista Isadora Junqueira, da AZ Quest, destacou a importância da ênfase do Fed na inflação elevada e a promessa de Warsh de focar na estabilidade de preços. Embora não tenha oferecido uma orientação futura, o Fed deixou claro que a inflação será uma prioridade, considerando o sólido desempenho do emprego e da atividade econômica.
“Esse foi o ponto principal. É a primeira visão das mudanças que vamos ter com o Warsh. E tivemos também a revisão das expectativas de juros no gráfico de pontos, com nove membros esperando alta neste ano. Foi uma mensagem muito dura”, ressaltou Junqueira, observando que o impacto da postura do Fed foi mais evidente no desempenho do DXY e nas taxas de juros de curto prazo, com o retorno da T-note de dois anos superando 4,20%.
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