O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), declarou nesta quarta-feira (8) que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, está tentando interferir nas eleições brasileiras. A afirmação ocorreu após a operação de busca e apreensão realizada na residência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em Brasília, autorizada por Moraes.
Flávio argumentou que a operação foi uma tentativa de criar uma “cortina de fumaça” para dividir a cobertura da mídia. Ele mencionou que a ação buscava localizar armas, munições e documentos relacionados a armamentos que apresentavam divergências nas informações fornecidas pela defesa do ex-presidente.
“Mais uma comprovação para que as pessoas entendam como estamos incomodando o sistema. A todo momento, na mão grande, na caneta, tentando interferir nas eleições em vários locais do Brasil, no Rio, em Roraima, vários lugares”, afirmou Flávio em uma transmissão ao vivo no YouTube.
A declaração do senador se refere a uma operação da Polícia Federal (PF) que ocorreu na terça-feira (7) e resultou na prisão do pré-candidato ao Senado pelo União Brasil, Márcio Canella, em flagrante, após um fuzil calibre .556 ser encontrado em seu veículo. Canella, apoiado pelo Partido Liberal (PL), renunciou ao cargo de prefeito de Belford Roxo (RJ) para concorrer ao Senado.
Flávio também criticou a atuação das autoridades envolvidas na investigação, destacando que a defesa de Bolsonaro havia apresentado documentos para esclarecer a situação das armas. Ele declarou que a presunção de inocência não estaria sendo respeitada no caso de Bolsonaro.
“Não tem mais boa-fé por parte de quem está nos acusando e nem o princípio constitucional da presunção de inocência funciona para o presidente Bolsonaro”, disse Flávio.
O senador descreveu a operação da PF em sua residência, mencionando que, embora os agentes tenham agido de forma respeitosa, todos os cômodos foram revistados. Ele relatou que a filha mais nova de Bolsonaro, Laura, precisou deixar seu quarto durante a operação.
“Busca minuciosa, reviraram tudo. A PF sempre que vai à casa de Bolsonaro faz de forma respeitosa, mas reviraram tudo”, completou Flávio.
A operação foi desencadeada após o Exército informar ao STF que duas das oito armas registradas em nome de Jair Bolsonaro não foram localizadas, incluindo uma pistola Glock 9 mm e uma espingarda calibre 12 da marca Maestro Arms Company. Moraes alegou que as informações apresentadas pela defesa não eram suficientes para comprovar a localização da espingarda e a regularidade de sua custódia.
“Contudo, sobrevieram aos autos informações indicando divergência entre o quantitativo de armas de fogo regularmente registradas em nome do apenado e aquelas efetivamente entregues aos órgãos competentes”, destacou a decisão de Moraes.
A defesa de Bolsonaro afirmou que a espingarda foi recebida como presente, mas nunca foi retirada da empresa importadora responsável pela arma. Após a operação, o advogado João Henrique de Freitas declarou que a defesa já havia informado a localização de todas as armas e que, durante o cumprimento do mandado, nenhum armamento foi encontrado.
Além disso, Carlos Bolsonaro, pré-candidato ao Senado por Santa Catarina, também criticou a operação em suas redes sociais, alegando que a família enfrenta perseguição e injustiça. Ele comparou a situação do pai com a de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula, argumentando que Jair Bolsonaro estaria sendo tratado de forma diferente pelas autoridades.
“Meu Deus do céu, Meu Deus do céu….Por favor, parem de torturar meu Pai. Ninguém aguenta mais tanta perseguição, injustiça e tortura”, publicou Carlos em sua conta no Twitter.

