O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), órgão vinculado ao Ministério de Minas e Energia, aprovou nesta terça-feira, 14, um aumento no porcentual obrigatório de etanol anidro na gasolina, passando de 30% para 32%. Essa medida entra em vigor no dia 1º de agosto e terá validade inicial de 180 dias, podendo ser prorrogada uma única vez pelo mesmo período, sem a necessidade de uma nova deliberação do CNPE.
De acordo com as estimativas do governo federal, essa alteração deve resultar em uma redução de R$ 0,03 no preço da gasolina ao consumidor. A decisão de aumentar a mistura de etanol se dá em um contexto de instabilidade no mercado de combustíveis, especialmente devido à guerra entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio. Para que essa nova proporção se torne permanente, será necessária uma nova aprovação pelo CNPE.
O etanol anidro, que é um álcool quase puro, com pelo menos 99,6% de graduação alcoólica, é misturado à gasolina comum com o objetivo de reduzir a emissão de poluentes. Sua principal diferença em relação ao etanol hidratado, que é o mais comum nos postos de combustíveis, é a presença de água: enquanto o hidratado contém de 4% a 5% de água, o anidro passa por um processo de desidratação.
“Estamos completamente seguros de avançar para essa mistura. Muitos dos nossos veículos circulam com 100% de etanol. Eles estão preparados”, afirmou o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, em entrevista coletiva após a reunião do CNPE.
Silveira destacou que a chance de o porcentual obrigatório de 32% se tornar definitivo é “completa e total”, enfatizando a intenção do governo de tornar essa medida permanente, dependendo dos desdobramentos do conflito entre Estados Unidos e Irã nas próximas semanas. A decisão do CNPE já era esperada, pois havia sido previamente anunciada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo a administração atual, o aumento da participação dos biocombustíveis é uma estratégia para reduzir a dependência da gasolina importada, aproximando o país da autossuficiência em abastecimento. O Ministério de Minas e Energia estima que essa elevação na mistura de etanol deve diminuir a necessidade de importação de gasolina em aproximadamente 450 milhões de litros, além de ter um impacto ambiental positivo ao ampliar o uso de um combustível renovável e reduzir as emissões de gases de efeito estufa.
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