O Departamento de Justiça dos Estados Unidos intimou jornalistas do New York Times para depor em um grande júri federal em Manhattan na próxima semana, após o jornal publicar reportagens sobre preocupações com a segurança do novo Air Force One, que foi apresentado ao governo americano pelo Catar. Essa ação gerou críticas de entidades que defendem a liberdade de imprensa.
As intimações foram entregues diretamente nas residências dos repórteres Julian E. Barnes, Eric Lipton, Tyler Pager e Eric Schmitt, o que demonstra a seriedade da situação. A medida foi discutida em uma reunião entre o diretor do FBI, Kash Patel, e outros membros do Departamento de Justiça na Casa Branca, na sexta-feira, 10 de julho.
“A presença de agentes federais na porta de repórteres deveria chocar a consciência de qualquer americano que acredita na Constituição e na liberdade de imprensa que ela protege”, afirmou David McCraw, advogado do Times.
A crítica se estende ao fato de que, segundo Bruce D. Brown, presidente do Comitê de Repórteres para a Liberdade de Imprensa, a ação é um exemplo da “guerra de Trump contra a imprensa”. Brown ressaltou que essas intimações quebram uma prática de longa data do Departamento de Justiça, que normalmente recorre a jornalistas apenas como último recurso, após esgotar outras opções.
O Departamento de Justiça, por outro lado, defendeu sua ação, afirmando que “os repórteres não são os alvos, mas sim aqueles que vazam informações classificadas”. O órgão enfatizou que continuará a investigar funcionários do governo que possam ter divulgado dados sigilosos que afetem a segurança nacional.
Vale lembrar que, neste ano, o Departamento de Justiça já havia intimado repórteres do Washington Post e do Wall Street Journal, mas posteriormente retirou essas medidas. Além disso, em janeiro, agentes do FBI realizaram buscas na residência de uma jornalista do Washington Post em uma investigação sobre vazamento de informações classificadas.
As reportagens do New York Times abordavam o novo Air Force One, que entrou em operação na semana passada, após o governo americano investir US$ 400 milhões para modernizar a aeronave doada pelo Catar. É interessante notar que, durante uma cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na Turquia, Trump escolheu utilizar um modelo mais antigo da aeronave presidencial em vez do novo modelo.
O porta-voz da Casa Branca, Steven Cheung, destacou que o novo Air Force One é uma aeronave de última geração, equipada com protocolos de segurança avançados, o que reforça a importância do tema discutido nas reportagens do Times.
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