O ataque do Hamas em outubro de 2023 forçou 300 mil reservistas a deixarem seus empregos. O impacto atingiu em cheio o setor de alta tecnologia, responsável por mais da metade das exportações israelenses.
O ataque do grupo terrorista Hamas ao sul de Israel, ocorrido em 7 de outubro de 2023, gerou um impacto significativo na economia do país. Essa crise não apenas trouxe traumas e desorganização, mas também revelou uma realidade singular: as Forças Armadas de Israel são predominantemente compostas por civis. Quando centenas de milhares de reservistas deixaram seus empregos para se unirem ao combate, o setor hightech, responsável por mais da metade das exportações israelenses, foi um dos mais afetados.
Com a convocação de toda a força de reserva militar, aproximadamente 300 mil reservistas, incluindo homens e mulheres de várias idades, foram incorporados ao esforço de guerra em menos de uma semana. Essa mobilização impactou diretamente o setor de tecnologia, onde a maioria dos profissionais mais qualificados atua. O resultado foi uma escassez significativa de mão de obra, já que entre 15% a 20% dos funcionários foram chamados para o serviço militar.
“As empresas de hightech enfrentaram uma maciça falta de mão de obra, porque entre 15% e 20% dos funcionários — e, por vezes, bem mais — foram convocados para o Exército como reservistas”, explica Dror Bin, CEO do Instituto de Inovação de Israel (IIA).
As startups, em particular, sentiram um impacto ainda mais severo, com operações sendo suspensas ou até abandonadas devido à falta de pessoal. Além disso, muitos funcionários israelenses que estavam no exterior retornaram ao país, mesmo antes da convocação oficial, em resposta ao cancelamento de voos internacionais.
A resposta do mercado global foi de cautela. Ciclos de captação de recursos foram interrompidos, negociações suspensas e investimentos congelados. Durante meses, as restrições de voos afetaram a rotina empresarial e aumentaram a desconfiança dos investidores em relação ao mercado israelense, levando a previsões pessimistas sobre quebras de empresas e fechamento de startups.
No entanto, os prognósticos negativos não se concretizaram. Os dados dos anos seguintes revelaram que, apesar do choque inicial, o setor de hightech conseguiu se recuperar e retomar seu crescimento, atraindo novos investimentos.
A resiliência do setor foi notável. Relatórios da Autoridade de Inovação de Israel (IIA) indicam que o ecossistema tecnológico manteve sua força em diversos indicadores, e até superou o desempenho de anos anteriores. As gigantes globais, como Google, Microsoft e Facebook, não apenas permaneceram em Israel, mas novas empresas chegaram ao país, totalizando 511. O número de startups fundadas também aumentou, com 743 em 2023, 750 em 2024 e 775 em 2025.
Outro aspecto significativo foi o crescimento da indústria de defesa, que viu um aumento na demanda por tecnologias. O número de startups nesse setor dobrou entre julho de 2024 e abril de 2025, em parte devido à guerra no Oriente Médio e a outras tensões globais.
“Mais de 300 startups que atuam em colaboração com o Ministério da Defesa de Israel participaram de operações durante a guerra”, afirma Amir Baram, diretor-geral do Ministério da Defesa.
Por fim, a experiência de muitos empreendedores israelenses no campo de batalha lhes conferiu uma perspectiva única. A habilidade de transformar desafios em inovações tem sido uma característica marcante do país. “A vantagem de Israel nunca foi o tamanho de seu mercado, mas a habilidade de pensar diferente e transformar descobertas em realidade”, conclui Alon Stopel, presidente da IIA.

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