Na última quinta-feira, 28 de maio de 2026, o presidente Luis Inácio Lula da Silva sancionou a criação da primeira Universidade Federal Indígena, batizada de Unind. O evento ocorreu no Palácio do Planalto e marca um importante avanço para a educação indígena no Brasil, após meses de articulação política e debates intensos no Congresso Nacional.
O presidente Lula destacou que o investimento em educação é muito mais viável do que os gastos com o sistema prisional. Em suas palavras,
“Fica mais barato a gente gastar um pouco para investir na educação do que a gente achar que custa muito não fazer, e o barato vai sair muito mais caro, porque nós não saberemos o destino que damos ao jovem que não conseguiu continuar numa universidade, que não conseguiu estudar.”
A nova universidade foi pensada para garantir a permanência e a formação dos estudantes, considerando aspectos essenciais como moradia e alimentação. Lula enfatizou a importância de um suporte completo para os alunos, já que muitos desistem de oportunidades como o Prouni por dificuldades financeiras.
A Unind, uma iniciativa do Ministério da Educação (MEC) e do Ministério dos Povos Indígenas (MPI), será dedicada à formação de indígenas em níveis de graduação e pós-graduação. Seu modelo educativo visa integrar o fortalecimento das identidades e saberes tradicionais ao conhecimento acadêmico, promovendo um diálogo enriquecedor entre essas duas realidades.
A deputada federal Sonia Guajajara, em entrevista, ressaltou que a criação da Unind é um passo significativo para a conclusão de cursos superiores por indígenas e a troca de saberes entre os povos originários e o conhecimento acadêmico.
“Muitos indígenas chegam às universidades, mas nem sempre conseguem concluir o curso. A universidade indígena, além de promover ainda mais esse acesso, vai também absorver estudantes não indígenas para que haja de fato essa troca”,
O funcionamento da Unind está previsto para começar em Brasília, na antiga universidade dos correios, com a expectativa de atender cerca de 2.800 alunos nos próximos quatro anos. A estrutura contará com 366 docentes e uma administração majoritariamente indígena. Os cursos iniciais abrangerão áreas como formação de professores, saúde coletiva indígena e gestão territorial e ambiental.
Durante uma visita à Aldeia Vista Alegre, em Santarém (PA), em novembro de 2025, Lula mencionou que, embora a sede da Unind esteja em Brasília, há planos para que extensões da universidade sejam estabelecidas em todos os estados, facilitando o acesso à educação para as comunidades locais.
“Para a meninada fazer o curso próximo de onde mora e não precisar ir para Brasília,”
Os pilares da Unind estão centrados na autonomia dos povos indígenas, na valorização de saberes e tradições, na produção de conhecimento científico em diálogo com práticas ancestrais e no fortalecimento da sustentabilidade socioambiental. Este é um passo significativo na busca por um futuro mais igualitário e reconhecedor das ricas culturas indígenas no Brasil.
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