Ex-marqueteira do PT depôs à Polícia Federal e confirmou que filho de Lula participou de viagens a Portugal com o 'Careca do INSS'. Visitas incluíram instalações ligadas a projeto de medicamentos à base de cannabis.
Na última terça-feira, 01/06/2026, a ex-marqueteira do PT, Danielle Miranda Fonteles, prestou depoimento à Polícia Federal (PF) confirmando que Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, participou de viagens e visitas técnicas organizadas por Antônio Carlos Camilo Antunes, o ‘Careca do INSS’, em Portugal.
Durante seu depoimento, Danielle detalhou que o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve em fábricas e instalações que seriam utilizadas em um projeto voltado à produção de medicamentos à base de cannabis. Essa iniciativa era liderada por Camilo Antunes, identificado pela PF como o principal operador em um esquema de descontos ilegais em benefícios do INSS.
“Ele não falava muito e não participava efetivamente das negociações”,
afirmou Danielle aos investigadores, referindo-se à participação de Lulinha nas agendas organizadas pelo empresário. A PF está investigando se a proximidade do filho do presidente com Antunes foi utilizada para aumentar a influência do empresário e facilitar contatos com autoridades no Brasil e no exterior. Um ex-executivo vinculado ao grupo do lobista fez uma acusação de que Lulinha recebia uma mesada de R$ 300 mil, informação que foi negada pela defesa de Lulinha.
A defesa sustenta que as atividades de Lulinha ocorreram antes da revelação das investigações sobre o empresário. Eles argumentam que Lulinha era conhecido apenas por sua atuação no setor farmacêutico e não por qualquer envolvimento em fraudes relacionadas ao INSS.
Os advogados também negaram a participação de Lulinha nos negócios de Antunes ou qualquer recebimento de recursos de empresas ligadas ao grupo sob investigação.
Danielle, que se mudou para Portugal em 2019, começou a prestar consultoria para empresários brasileiros que desejavam investir na Europa, momento em que conheceu Camilo Antunes. Em seu relato, ela mencionou que ele a contratou para ajudar no desenvolvimento de um projeto no setor farmacêutico, recebendo uma remuneração de US$ 4 mil euros. Danielle negou qualquer participação societária nos negócios de Antunes.
A ex-marqueteira passou a ser investigada após a PF identificar transferências de aproximadamente R$ 5 milhões feitas por uma empresa ligada ao ‘Careca do INSS’. Danielle alegou que esses valores se referiam a parcelas de uma transação imobiliária com o empresário. Vale lembrar que, antes de sua atual investigação, ela já havia sido alvo da Operação Acrônimo, onde sua agência, Pepper Comunicação Interativa, foi investigada por contratos fictícios e repasses destinados ao financiamento de campanhas do Partido dos Trabalhadores.


