Na última terça-feira, 27 de maio, o presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, deputado Max Russi, do partido Podemos, trouxe à tona uma proposta ousada para solucionar a histórica disputa territorial entre Mato Grosso e o Pará. Em uma conversa com o ministro Flávio Dino, Russi sugeriu a realização de um plebiscito, enfatizando a importância de ouvir a população diretamente afetada pela questão.
“Falei para o ministro Dino que a gente possa fazer um plebiscito, vamos ouvir as pessoas, porque no final do dia o que importa são as pessoas, não é o palmo de terra, não é a produção”, destacou o deputado em uma entrevista exclusiva. Essa declaração reflete um compromisso com as necessidades e preocupações dos cidadãos, que muitas vezes são esquecidos em debates políticos.
A área em discussão, que abrange aproximadamente 22 mil km² — o que equivale à dimensão do estado de Sergipe — inclui porções de seis municípios paraenses: Jacareacanga, Novo Progresso, Altamira, São Félix do Xingu, Cumaru do Norte e Santana do Araguaia. O local, conhecido como Salto das Sete Quedas, é um ponto estratégico que abriga cerca de 350 mil cabeças de gado, além da Usina Teles Pires, uma das dez maiores do Brasil.
No entanto, a governadora do Pará, Hana Ghassan Tuma, manifestou sua oposição à ideia de dividir o território estadual, afirmando que não aceitará tal proposta. Em resposta a essas declarações, Russi afirmou: “Eu vi esse vídeo da governadora, onde ela estava preocupada com a questão da terra. Nós não estamos preocupados com a questão da terra, nós estamos preocupados com as pessoas, em acolher aqueles moradores, porque eles não têm atendimento.”
Russi também criticou a situação da infraestrutura e dos serviços de saúde na região, alegando que os cidadãos estão sendo abandonados. “Descaso total de não levar infraestrutura, saúde, o mínimo para aquela região. Eles estão realmente largados”, afirmou o parlamentar. Ele ainda mencionou que a Assembleia já teve audiências com o ministro Flávio Dino e que está acompanhando a situação de forma rigorosa.
A origem dessa disputa remonta à definição da fronteira estabelecida em 1922. O novo processo, que foi protocolado em 2023, reacendeu o embate político e jurídico entre os dois estados. Em uma decisão anterior, o STF havia se pronunciado de forma unânime em favor do Pará em 2020. Com a audiência marcada para o dia 10 de junho, o futuro da disputa poderá ser decidido em breve, caso as partes não cheguem a um consenso.
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