Investigação revela 50 mortes sob custódia do ICE desde janeiro de 2025. Taxa supera governos anteriores e expõe o lado mais sombrio da política de deportação em massa.
Donald Trump retorna à Casa Branca com a promessa de implementar a maior operação de deportação da história dos Estados Unidos. Quase um ano e meio depois, uma investigação revela um dos efeitos mais alarmantes dessa política: a taxa de mortes nos centros de detenção de imigrantes mais do que dobrou em comparação aos governos anteriores.
Um levantamento que analisou dados oficiais do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE) identificou 50 mortes de imigrantes sob custódia da agência entre janeiro de 2025 e início de junho de 2026. Este número, por si só, já é preocupante, mas o dado mais alarmante é a proporção.
Entre 2009 e 2024, um período que abrange os governos de Obama, Trump em seu primeiro mandato e Biden, a média foi de uma morte para cada 3.848 detidos. Contudo, sob a atual administração Trump, essa taxa saltou para uma morte a cada 1.630 pessoas mantidas sob custódia.
Esses números surgem em meio à expansão sem precedentes do sistema de detenção migratória americano. Impulsionado pela política de tolerância zero à imigração irregular, o governo ampliou operações de fiscalização, acelerou prisões e aumentou significativamente a população de imigrantes mantidos em centros de detenção enquanto aguardam deportação ou decisões judiciais. Em alguns momentos deste ano, mais de 70 mil pessoas estavam detidas simultaneamente pelo ICE, um recorde histórico.
A investigação também aponta que muitas das mortes ocorreram entre pessoas que apresentavam condições médicas pré-existentes, problemas cardíacos, doenças crônicas ou transtornos mentais. Especialistas consultados afirmam que diversos casos levantam questionamentos sobre a qualidade do atendimento médico oferecido dentro dessas instalações.
“Não houve atenção adequada às condições de saúde dos detidos”, afirmam defensores dos direitos humanos.
Os relatos de detentos, ex-detentos, familiares, advogados e médicos descrevem atrasos em atendimentos, dificuldades para acessar especialistas e problemas de monitoramento de pacientes considerados de alto risco. Entre os casos analisados está o de Chaofeng Ge, um cidadão chinês com histórico de tentativas de suicídio. Sinais de alerta teriam passado despercebidos durante o período em que permaneceu sob custódia. Outro caso citado é o de Tuan Van Bui, um vietnamita que faleceu após uma emergência médica em um centro de detenção em Indiana.
Apesar das críticas, a administração Trump contesta os dados e argumenta que o aumento das mortes deve ser analisado no contexto da expansão do sistema. Autoridades afirmam que a população detida cresceu rapidamente e que o governo continua seguindo protocolos médicos estabelecidos para garantir assistência aos imigrantes sob custódia.
Ainda assim, os dados revelam uma pressão crescente sobre a Casa Branca, especialmente quando Trump busca transformar o endurecimento das políticas migratórias em uma das principais vitrines de seu segundo mandato. O debate agora transcende a segurança de fronteiras e envolve a capacidade do sistema de absorver um número cada vez maior de detidos sem comprometer padrões básicos de atendimento e proteção à vida.
“O que está em jogo são vidas humanas e a dignidade de cada indivíduo”, afirmam críticos da política.
Para defensores da política migratória de Trump, o aumento das detenções demonstra o sucesso da estratégia de combate à imigração ilegal. Para críticos, os números apresentados indicam que a expansão acelerada do sistema pode estar produzindo consequências humanas que vão muito além das estatísticas.
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