Desde 27 de julho, 17,7 mil entregadores contrataram empréstimos que somam R$384 milhões liberados. As adesões ficam muito abaixo da projeção (700 mil a 1,2 milhão) e muitos dizem ter dificuldade para financiar veículos.
O programa Move Brasil, destinado a entregadores e mototaxistas de aplicativo, caminha a passos lentos e registra adesões bem abaixo da estimativa inicial. Mesmo com recursos públicos e garantia do governo contra calotes, o público tem encontrado dificuldades para financiar veículos por meio da iniciativa.
Desde o início das operações, em 27 de julho, 17,7 mil entregadores contrataram empréstimos, totalizando R$ 384 milhões liberados. Antes do lançamento, a estimativa de público potencial variava entre 700 mil e 1,2 milhão de entregadores em todo o país, um número muito superior às contratações efetivadas até o momento.
O programa é voltado para entregadores ciclistas e motociclistas cadastrados em plataformas de aplicativos há pelo menos seis meses com, no mínimo, cem corridas, ou ciclistas, motofretistas e mototaxistas profissionais, com contratos formais há ao menos seis meses na mesma empresa. O governo explica, no entanto, que a elegibilidade não garante acesso automático, pois a liberação depende de análise de risco da instituição financeira participante.
O relato de usuários mostra as dificuldades práticas do processo. O entregador Alexsandro Dantas, de 40 anos, tentou financiar uma moto nova pelo Move Brasil, mas não conseguiu. Trabalhando com entregas há mais de três anos, ele queria trocar a motocicleta, que está em nome de sua mãe, por um modelo novo. Segundo Alexsandro, ele acessou o gov.br e fez o requerimento para participar do programa, mas não foi aprovado. Ele avalia que a negativação de seu nome tenha sido o motivo:
“Acho que não consegui porque meu nome é sujo, negativado. Tentei aderir pelo gov.br, deram prazo para o requerimento e, quando fiz, não foi aceito. Parecia fácil pela propaganda.”
Alexsandro ressalta o ganho prático de ter um veículo mais novo:
“Trabalhar com moto nova é melhor porque quase não dá problema.”
Há também relatos de quem conseguiu concluir a compra, mas enfrentou espera. O entregador Marcelo de Souza, de 23 anos, conseguiu comprar o veículo pelo programa, mas o processo levou cerca de um mês e meio entre o início dos trâmites com a concessionária e a retirada da moto. Ele descreveu o cronograma do atendimento:
“Comecei a falar com o rapaz da concessionária em 30 de julho e consegui tirar a moto dia 16 de setembro.”
Trabalhando com entregas por aplicativo há quatro anos, Marcelo viu no Move Brasil a oportunidade de trocar a bicicleta por uma moto própria e passou a incentivar amigos a tentar também. Ele destaca a necessidade de paciência com os prazos:
“Não é do dia para a noite, tem um processo, demora um pouco. Mas é só esperar que vai sair.”
O cenário atual aponta para dois desafios práticos: a diferença entre a demanda estimada e as contratações efetivas, e a necessidade de critérios de risco que limitam o acesso imediato. Para quem considera aderir, a leitura atenta dos requisitos, a regularização de pendências cadastrais e o planejamento financeiro para o prazo entre a aprovação e a retirada do veículo são passos importantes para transformar a intenção em resultado concreto.


Fonte: InfoMoney – Mercado
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