Uma acentuada queda nas ações de tecnologia nos Estados Unidos expôs o grau de dependência dos mercados ao otimismo em torno da inteligência artificial, avaliou a Capital Economics nesta segunda-feira. Segundo a consultoria, o recuo do setor acabou ofuscando o provável desfecho para a paralisação do governo (shutdown).
Apesar da turbulência, a empresa afirmou que há poucas evidências de que o ciclo da IA esteja perto de desmoronar. Para os analistas, a correção recente parece resultar muito mais de mudanças de humor dos investidores do que de fragilidades nos fundamentos.
“Vemos poucos sinais nos fundamentos que indiquem um estouro iminente da ‘bolha’ da IA”, escreveu Jonas Goltermann, economista-chefe adjunto de mercados da Capital Economics, em nota.
Goltermann destacou que não houve um fator específico que desencadeasse a onda de vendas, que atingiu com mais força as companhias com valuations mais elevados — mesmo entre aquelas que divulgaram resultados acima das expectativas. O movimento, afirmou, refletiu dúvidas sobre a sustentabilidade do ciclo de crescimento impulsionado pela IA e sobre os custos crescentes ligados à expansão de data centers.
“O sentimento do mercado é sempre volátil, especialmente em momentos de exuberância”, alertou o economista, ressaltando que a correção recente mostra o quanto o setor está sensível a qualquer notícia relacionada à IA.
O analista comparou a queda do setor de tecnologia aos recuos recentes observados no ouro e nas criptomoedas, classificando o episódio como parte de um ajuste mais amplo de ativos “inflados”. Ainda assim, disse acreditar que “o núcleo da tese da IA permanece sólido” e tem condições de resistir a novas correções em segmentos mais especulativos.
No campo político, Goltermann afirmou que o shutdown — agora próximo do fim — tem sido, para os mercados, apenas um “espetáculo secundário”. Paralisações desse tipo raramente deixam efeitos econômicos duradouros; e esta, embora a mais longa já registrada, pouco interferiu na confiança dos investidores. Desde meados de setembro, os rendimentos dos Treasuries e o dólar até mostraram leve fortalecimento, sugerindo um otimismo um pouco maior em relação à economia.
“Com um acordo praticamente costurado no Senado, o fim do shutdown parece próximo. E, caso se confirme em breve, não esperamos grande impacto sobre o mercado acionário”, afirmou.
Goltermann concluiu dizendo que a tecnologia deve seguir como o principal foco dos investidores: “O fim iminente do shutdown continua sendo um elemento secundário para os mercados.”
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