Higher Ground divulgou trailer de The Eyes of Ghana, que mostra o cinegrafista Chris Tsui Hesse salvando mais de 1.000 rolos da luta pela independência. Exibição única em 28 de outubro nos EUA e Canadá.
A Higher Ground acaba de lançar um novo trailer de The Eyes of Ghana, documentário dirigido por Ben Proudfoot que acompanha Chris Tsui Hesse, cinegrafista pessoal do primeiro presidente de Gana, Kwame Nkrumah, em uma missão para preservar mais de 1.000 rolos de filme que documentam a luta pela independência africana. A história mistura patrimônio cultural, memória histórica e um esforço prático para salvar imagens que correm risco de desaparecer.
O filme será exibido em 28 de outubro, por uma noite, nos Estados Unidos e no Canadá. A produção também chamou atenção por ter Barack e Michelle Obama como produtores executivos, por meio da produtora Higher Ground, e pelo envolvimento recente do streamer Darren Jason Watkins Jr., mais conhecido como iShowSpeed, que assinou como produtor da versão cinematográfica visando ampliar o alcance do título junto ao seu público.
iShowSpeed, que tem etnia ganesa e recebeu cidadania de Gana após a visita durante a turnê “Speed Does Africa” — quando transmitiu ao vivo uma jornada por 20 países em 28 dias —, afirmou que o projeto despertou uma conexão pessoal e vontade de levar essa história a sua comunidade.
“It is a great honor to be part of The Eyes of Ghana and help bring this extraordinary piece of history to the big screen. I felt a profound connection to Ghana when I visited this year, and learning about Chris Hesse’s work deepened my understanding of the country and its people. His camera captured the birth of African independence, and his determination to preserve those images has ensured that future generations can witness it for themselves. I’m humbled by his legacy and proud to help bring his story to my community.”
O enredo revela que os negativos foram armazenados em Londres por décadas, enviados para processamento quando Gana não tinha instalações para lidar com filmes coloridos. Esse armazenamento se tornou decisivo após o afastamento de Nkrumah em 1966, quando muitas imagens relacionadas ao seu governo estavam sendo destruídas em massa. A preservação desses negativos foi, portanto, um passo essencial para que o registro visual da época não se perdesse.
Anita Afonu, cineasta ganesa e produtora do documentário, começou a se envolver com a preservação do patrimônio cinematográfico enquanto realizava Perished Diamonds, um documentário sobre a história da indústria do cinema em Gana. Durante a produção, ela lançou uma iniciativa para digitalizar arquivos históricos do país e ampliar o acesso a esses materiais para pesquisadores e cineastas.
“I felt that being a Ghanaian filmmaker that I had every right to access those films without any difficulties. However, because they are being stored in England, accessing them is almost impossible. Since Ghana did not have the facilities to store the celluloid films, I thought it would be better if digital copies of these films were brought to Ghana so that researchers and fellow filmmakers could access them. Hence, I started an initiative to digitize these films.”
Ben Proudfoot conheceu Chris Tsui Hesse em 2021, enquanto filmava um projeto da UNICEF em Gana, após a apresentação feita pelo jornalista e coprodutor Justice Baidoo. Hesse, com seu vasto acervo, pediu ajuda para digitalizar o material, e essa colaboração acabou gerando a ideia do documentário que tomou a forma de um filme de longa-metragem.
The Eyes of Ghana estreou no Toronto International Film Festival no ano passado e obteve 94% de avaliação no Rotten Tomatoes. A crítica destacou Hesse como personalidade carismática e elogiou os cerca de 15 minutos de imagens de arquivo incluídas no filme, que foram consideradas essenciais para entender como a narrativa visual ajudou a moldar identidades durante e após o período de colonização.
“In a time where politicians are rewriting history, it is vital for stories like this to be told and preserved for future generations. I loved how this film clearly lays out how powerful storytelling is in framing identity and controlling people… The Eyes of Ghana is a documentary filled with heart.”
Para quem busca inspiração prática: o filme exemplifica como iniciativas de preservação de arquivos dependem de parcerias — entre cineastas locais, produtores internacionais e plataformas de divulgação — e de ações concretas de digitalização. The Eyes of Ghana promete ser uma ferramenta de acesso à memória e um convite para que comunidades e pesquisadores pensem em estratégias para proteger e compartilhar seu patrimônio audiovisual.
Fonte: The Gamer – Games
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