Em Genebra, Juan Marchetti, diretor da OMC, afirmou que regras fragmentadas freiam a adoção de stablecoins. Ele destacou que essas moedas lastreadas podem reduzir atritos e custos nos pagamentos transfronteiriços.
0.45%TRX$0.3406 0.18%LINK$11.43 1.55%ZEC$1,137.13 4.28%ADA$0.2086 1.24%XRP$1.40 4.30%ETH$2,506.57 0.64%BTC$78,545.23 1.81%XMR$512.98 4.22%BNB$722.23 0.43%XLM$0.1925 7.91%SOL$102.01 1.66%HYPE$79.92 2.34%
Regimes regulatórios fragmentados estão limitando a adoção de stablecoins nas finanças internacionais, afirmou Juan Marchetti, diretor da divisão de comércio de serviços e investimentos da Organização Mundial do Comércio (OMC), durante evento em Genebra. O discurso apresentou dados e análises sobre como essas moedas digitais lastreadas podem atuar na redução de atritos nos pagamentos transfronteiriços, mas que enfrentam barreiras sobretudo de ordem regulatória.
“A restrição não é tecnológica. Na verdade, é a regulamentação e a falta de desenvolvimento de estruturas regulatórias”
Marchetti citou um relatório de outubro de 2025 do Conselho de Estabilidade Financeira que verificou que apenas 39% — 11 das 28 jurisdições pesquisadas — finalizaram suas estruturas regulatórias para stablecoins. No cenário atual, segundo a análise apresentada, stablecoins respondem por apenas 3% dos pagamentos internacionais, apesar do potencial de reduzir custos e tempo nas cadeias de financiamento do comércio.
O estudo da OMC identificou cinco pontos de atrito que as stablecoins podem mitigar: custos elevados, baixa velocidade, acesso limitado, transparência insuficiente e limitações cambiais. Ao mesmo tempo, foi destacado que os pagamentos com stablecoins em transações internacionais cresceram 35 vezes entre 2020 e meados de 2024, mostrando adoção acelerada apesar das restrições regulatórias.
As economias em desenvolvimento foram apontadas como as mais beneficiadas pela adoção de stablecoins, já que a tecnologia pode reduzir taxas de remessa e facilitar inclusão financeira. Marchetti observou, no entanto, que esses mesmos países costumam ter os regimes regulatórios menos desenvolvidos para viabilizar a adoção em escala.
O discurso também mencionou iniciativas da indústria: algumas grandes empresas de pagamentos estão testando e ampliando usos de stablecoins. Em agosto, a Mastercard fez parceria com a rede Borderless para testes com stablecoins usando a estrutura Crypto Credential. Em junho, a empresa anunciou planos de expandir capacidades de liquidação, incluindo liquidação intradiária, fins de semana e feriados, contemplando também liquidações por meio de stablecoins. Em agosto, a Western Union iniciou parceria com a fornecedora Rain para lançar uma carteira digital e um cartão Visa que permitem manter e gastar uma stablecoin lastreada em dólar em 37 mercados, com planos de expandir para mais de 60 mercados até o fim do ano.
O diagnóstico apresentado indica que, para as stablecoins cumprirem seu papel de melhorar pagamentos internacionais e financiamento do comércio, será necessária uma coordenação regulatória mais ampla e estruturas claras que permitam inovação segura sem sacrificar supervisão e proteção de usuários.
Fonte: Cointelegraph Brasil
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