A Organização das Nações Unidas (ONU) emitiu um alerta na última sexta-feira, 29 de maio de 2026, sobre as possíveis consequências do plano de Israel de assumir o controle de 70% da Faixa de Gaza. Essa medida, segundo a ONU, poderá intensificar o sofrimento das crianças que já enfrentam sérios problemas de superlotação e condições de vida precárias.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, anunciou na quinta-feira, 28 de maio, que havia dado ordens ao exército para expandir seu controle sobre o território, desafiando os termos do frágil cessar-fogo que havia sido estabelecido em outubro. Netanyahu ressaltou que, sob a atual situação, o exército já controlava 50% do território e que o objetivo agora é alcançar 70%.
“Minha diretriz é avançar até 70%”, afirmou Netanyahu.
No entanto, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) fez um chamado à atenção, afirmando que essa ação poderia agravar ainda mais a crise sanitária entre as crianças da região, que já são severamente afetadas pela escassez de alimentos, água e condições adequadas de higiene.
Antes mesmo dos ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023, que iniciaram um novo conflito em Gaza, o território já era considerado um dos lugares mais densamente povoados do mundo. Neste contexto, o porta-voz da Unicef, Salim Oweis, destacou que a população está confinada em apenas 40% do espaço disponível, buscando abrigo entre edifícios destruídos e acúmulos de lixo.
“Os efeitos já são claramente visíveis: crianças com infecções respiratórias, diarreia aquosa aguda e mais da metade das famílias relatando doenças de pele”, disse Oweis.
Além disso, ele chamou atenção para a presença de pulgas, piolhos e sarna, bem como casos de mordidas de ratos em crianças pequenas e até em bebês que vivem em tendas e abrigos improvisados. A expansão do controle israelense sobre a Faixa de Gaza significaria reduzir ainda mais o acesso a serviços essenciais e áreas onde vivem famílias e crianças.
“Isto só significará que mais crianças sofrerão”, enfatizou Oweis.
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