A Polícia Civil de SP deflagrou operação para apurar irregularidades no Instituto Conhecer Brasil. A ONG é alvo de suspeitas de desvio de verbas públicas em contrato milionário com a Prefeitura.
A Polícia Civil de São Paulo deu início à Operação WiFi Livre SP na última segunda-feira, 1º de junho de 2026, com o objetivo de investigar o Instituto Conhecer Brasil (ICB). Essa ONG é responsável por um contrato significativo de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo, o que a torna o foco de uma apuração detalhada.
As investigações iniciaram-se após um pedido do Ministério Público do Estado de São Paulo e envolvem a realização de buscas na Secretaria de Inovações e Tecnologia e na sede do Instituto. O cerne da investigação gira em torno de possíveis desvios de verbas públicas que deveriam ser destinadas à instalação de internet sem fio para comunidades, mas que podem ter sido redirecionadas para financiar a produção do filme “Dark Horse”, que retrata a eleição de Jair Bolsonaro (PL) em 2018.
O contrato firmado entre a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia e o ICB previa a instalação e manutenção de 5.000 pontos de acesso à internet. Contudo, as investigações revelaram que a ONG não tinha histórico ou capacidade técnica no setor de telecomunicações, tendo atuado anteriormente apenas em eventos literários e religiosos. Além disso, o valor acordado por ponto de internet, R$ 1.800, era significativamente superior ao cobrado pela Prodam, empresa de tecnologia da Prefeitura, que oferecia o mesmo serviço por R$ 306.
Outro ponto crítico das investigações é o descumprimento das metas estabelecidas. Dos 5.000 pontos prometidos até junho do ano passado, apenas 3.200 foram instalados, e em algumas ocasiões, apenas seis deles estavam em funcionamento. Apesar dos atrasos, a administração municipal antecipou o pagamento de R$ 26 milhões à ONG, incluindo R$ 11 milhões para pontos de acesso que não estavam operacionais entre julho e agosto de 2024.
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A inteligência financeira da Polícia Civil identificou indícios de que os recursos públicos recebidos pelo ICB podem ter sido utilizados para financiar o longa-metragem “Dark Horse”, cuja produção é estimada entre R$ 8 milhões e R$ 20 milhões. Investigações anteriores já haviam apontado falhas na prestação de contas da ONG, incluindo pagamentos duplicados e o uso de dinheiro público para tarifas bancárias, o que é vedado pela legislação.
Além disso, foram identificadas notas fiscais em que a ONG atuava simultaneamente como prestadora e tomadora de serviço, levando à devolução de aproximadamente R$ 930 mil aos cofres municipais.
Em resposta às investigações, a Prefeitura de São Paulo afirmou que está colaborando com as autoridades e que toda a documentação solicitada já foi entregue. A administração ressaltou que o programa de internet está funcionando regularmente e que, dos 3.200 pontos contratados, apenas 52 estavam em manutenção na manhã da última segunda-feira. A Prefeitura também afirmou que o contrato foi supervisionado pelo Tribunal de Contas do Município e que não houve pagamento por 5.000 pontos, mas sim um aditivo para a manutenção dos pontos já instalados.
Sobre as suspeitas de desvio de recursos, a administração municipal rechaçou as alegações, afirmando que o chamamento público ocorreu em 2024, antes da produção do filme mencionado.
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