Uma tragédia impactou a vida de uma jovem de 33 anos que lutava contra a leucemia. Larissa Amorim, após quase dois meses de espera, não recebeu o medicamento blinatumomabe, cuja incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS) já havia sido garantida pela Justiça. Infelizmente, Larissa faleceu no dia 14 de maio, 59 dias após a decisão judicial que determinava o fornecimento do tratamento necessário para sua recuperação.
A situação alarmou a Associação Brasileira de Câncer do Sangue (Abrale), que decidiu acionar a Procuradoria-Geral da República (PGR) para denunciar as falhas estruturais que dificultam o acesso a tratamentos oncológicos já aprovados. Segundo a Abrale, o problema não é isolado e muitos pacientes enfrentam barreiras semelhantes na busca por medicamentos essenciais.
Larissa estava sob cuidados médicos e necessitava do blinatumomabe como parte fundamental para a realização de um transplante de medula óssea. A União havia sido intimada judicialmente a fornecer o medicamento em março de 2026, mas, mesmo com a ordem judicial, o remédio não chegou a tempo.
“O paciente teria, teoricamente, que ter acesso ao medicamento dentro do prazo de 180 dias”, destacou Luana Ferreira Lima, gerente de Políticas Públicas e Advocacy da Abrale. “Mas esse prazo se esgota, e ele não recebe o remédio, por questões burocráticas, de operacionalização, de coordenação e de recursos.”
Atualmente, a Abrale acompanha 185 pacientes que enfrentam dificuldades semelhantes para acessar tratamentos já incorporados ao SUS. Em 2025, quase metade dos atendimentos realizados pelo serviço sociojurídico da associação envolveu problemas de acesso a medicamentos, com 85% dos casos sendo de usuários da rede pública.
Murilo Barbosa, marido de Larissa, compartilhou a dor e a luta da esposa durante os anos em que enfrentou a leucemia. Ele relatou que, após manter a doença sob controle por mais de duas décadas, o quadro de Larissa se agravou em 2025, levando a uma nova fase de quimioterapia. Sem o medicamento, Larissa contraiu uma infecção e foi intubada, mas não resistiu.
“A oncologia não espera”, ressaltou Murilo. “O câncer não espera. Cinquenta e nove dias, para quem tem câncer, é muito.”
Em Sergipe, a Abrale também está ciente de casos em que decisões judiciais não garantem o acesso aos medicamentos, mesmo com liminares concedidas. O Ministério da Saúde, por sua vez, comunicou que está planejando a incorporação gradual de 23 novos medicamentos oncológicos de alto custo, com um investimento estimado em R$ 2,2 bilhões. Entretanto, a pasta não explicou a razão pela qual o blinatumomabe não foi entregue à paciente, mesmo após a ordem judicial.

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