O RBC Capital Markets contestou a visão de que a inteligência artificial marcará o fim do software tradicional, afirmando que a narrativa da “morte do software” está exagerada.
Segundo a corretora, a recente pressão sobre as ações do setor não reflete fundamentos sólidos, mas sim preocupações infundadas. O índice de software IGV, por exemplo, acumula alta de 6% no ano, mas esse avanço foi sustentado por nomes como Microsoft (NASDAQ:MSFT), Oracle (NYSE:ORCL) e Palantir (NASDAQ:PLTR). Excluindo essas companhias, o índice estaria em queda de 14%.
O mercado, observa o RBC, está dividido em duas correntes: de um lado, os que acreditam que “todo software será substituído por agentes e sistemas multiagentes”; de outro, os que defendem que o “valor dos dados e o alcance das grandes empresas” garantirão resiliência e capacidade de monetizar a IA.
Os analistas liderados por Rishi Jaluria adotam uma posição intermediária. Para eles, a IA deve beneficiar algumas companhias já estabelecidas, criar novos players relevantes e acelerar fusões e aquisições ligadas à tecnologia.
O relatório questiona ainda se a suposta vantagem de dados das big techs é realmente tão robusta quanto se costuma afirmar, citando ambiguidades sobre propriedade, a comoditização das informações e a crescente importância dos dados em tempo real frente aos históricos.
Outro risco apontado é a desintermediação: empresas nativas de IA podem inicialmente fortalecer plataformas existentes, mas depois passar a competir diretamente, reduzindo engajamento e crescimento das grandes fornecedoras de software. Além disso, a popularização de ferramentas como o “vibe coding” tende a diminuir barreiras de entrada, intensificando a concorrência. Ainda assim, o RBC avalia que isso pode ampliar os orçamentos gerais de software, estimulando inovação.
Nesse cenário, fusões e aquisições devem se consolidar como estratégia-chave, em movimento semelhante ao observado durante a transição para a nuvem. Porém, a monetização da IA pode demorar mais do que os investidores esperam, com adoção ampla nas empresas possivelmente apenas após 2028. Até lá, ganhos indiretos podem surgir por meio de maior consumo, engajamento, conversões e taxas de retenção.
Entre as companhias mais bem posicionadas para “atravessar o abismo” em direção a um futuro moldado pela IA, o RBC cita Microsoft, Intuit (NASDAQ:INTU), HubSpot (NYSE:HUBS), MongoDB (NASDAQ:MDB) e Pegasystems (NASDAQ:PEGA). Já para Salesforce (NYSE:CRM) e ZoomInfo (NASDAQ:GTM), a avaliação é mais cautelosa.
Os analistas destacaram ainda que empresas como Dynatrace (NYSE:DT), HubSpot, MongoDB, ServiceNow (NYSE:NOW) e Snowflake (NYSE:SNOW) sofreram quedas que podem estar além do razoável.
“Embora os temores dos investidores estejam provavelmente exagerados, acreditamos que a atenção deve se voltar para a escolha criteriosa das ações de software, considerando os riscos ligados à valorização de longo prazo”, concluiu o RBC.
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