Por tarifas e aumento na oferta da Opep+, petróleo tem maior queda em 3 anos e recua mais de 6%
Os preços do petróleo despencaram nesta quinta-feira (data não especificada), registrando a maior queda percentual desde 2022. O recuo aconteceu após a Opep+ anunciar um aumento inesperado na produção, apenas um dia depois do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, divulgar novas tarifas de importação abrangentes.
O barril do Brent encerrou o dia cotado a US$ 70,14, com queda de US$ 4,81 (ou 6,42%), enquanto o petróleo WTI caiu 6,64%, fechando a US$ 66,95 por barril. Essa foi a maior desvalorização percentual para o Brent desde 1º de agosto de 2022, e para o WTI desde 11 de julho do mesmo ano.
Durante uma reunião de ministros, os países da Opep+ decidiram devolver ao mercado 411 mil barris por dia a partir de maio, acima da previsão anterior de 135 mil bpd — medida que surpreendeu o mercado e acentuou a pressão sobre os preços.
“A economia e a demanda de petróleo estão diretamente conectadas”, afirmou Angie Gildea, líder de energia da KPMG nos EUA. “Ainda estamos avaliando os impactos das tarifas, mas a combinação entre aumento da oferta e perspectivas econômicas globais mais fracas empurra os preços do petróleo para baixo — sinalizando uma nova fase em um mercado volátil.”
Antes mesmo da decisão da Opep+, o petróleo já caía cerca de 4%, em meio a temores de que as tarifas impostas por Trump desencadeiem uma guerra comercial, impactem o crescimento global e reduzam a demanda por combustível.
Na quarta-feira, Trump anunciou uma tarifa mínima de 10% sobre a maioria dos produtos importados pelos EUA — maior consumidor global de petróleo — com taxas ainda mais elevadas sobre bens de dezenas de países. Contudo, as importações de petróleo, gás e derivados foram isentas, segundo informou a Casa Branca.
Fonte: Reuters
(Reportagem de Erwin Seba, Robert Harvey, Siyi Liu, Nicole Jao e Arunima Kumar)