O preço do petróleo segue como o principal fator para definir a sustentabilidade do atual rali das ações nos Estados Unidos, segundo analistas da Evercore. A avaliação é de que o WTI precisa se manter abaixo do pico de US$ 96,05 registrado em março (contrato futuro de julho) para evitar impactos mais duradouros sobre os mercados e a economia.
O S&P 500 acumula queda próxima de 10% desde a máxima histórica de 7.002,28, atingida no fim de janeiro. O movimento foi pressionado pela disparada do petróleo — que saiu de US$ 54,98 em dezembro para um pico de US$ 119,48 em 9 de março — além de fatores como valuations elevados, alta exposição das famílias ao mercado acionário, preocupações com disrupções causadas por IA e o cenário geopolítico mais tenso desde a Segunda Guerra Mundial.
Apesar disso, o cenário-base da Evercore ainda aponta para a retomada do mercado de alta. A visão otimista da instituição se sustenta em três premissas: ausência de recessão, manutenção dos juros pelo Federal Reserve e queda nos preços do petróleo.
No caso do petróleo, os analistas liderados por Emmanuel Cau destacam que o WTI precisa recuar em direção à faixa projetada, com o Brent próximo de US$ 88, afastando-se de níveis considerados “economicamente tóxicos”, como gasolina acima de US$ 4 por galão, antes do Memorial Day, em 25 de maio.
Atualmente, o contrato de maio do WTI gira em torno de US$ 110, ainda em patamar elevado. Para os analistas, embora o eventual reposicionamento dos investidores — com redução de apostas defensivas e menor exposição ao petróleo — possa favorecer os mercados, o preço da commodity continua sendo o ponto central para a continuidade da tendência de alta.
Outro fator que sustenta o otimismo é a revisão positiva das estimativas de lucros. O consenso de lucro por ação do S&P 500 subiu de US$ 312 para US$ 320 desde o fim de janeiro. Historicamente, anos com crescimento de lucros acima de 10% resultaram em alta do índice em 10 de 11 ocasiões, com ganho médio de 13%.
No campo geopolítico, a análise histórica também oferece algum alívio. Em 13 episódios desde 1985 em que o risco geopolítico atingiu níveis extremos, o S&P 500 apresentou retorno médio de 13,6% nos 12 meses seguintes, com desempenho positivo na maioria dos casos após a redução da volatilidade inicial.
Por fim, os analistas apontam que o atual nível de pessimismo no mercado — evidenciado pelo encarecimento de proteções via opções no Nasdaq 100 — pode abrir espaço para uma recuperação das ações conforme essas posições forem desfeitas.
A Evercore mantém preço-alvo de 7.750 pontos para o S&P 500 ao fim do ano, condicionado, principalmente, à trajetória dos preços do petróleo.
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