A Sabesp tomou medidas disciplinares contra funcionários envolvidos em vazamento de gás na República. A empresa também anunciou reestruturação interna para reforçar a segurança operacional.
A Sabesp, responsável pelo abastecimento de água e saneamento na cidade de São Paulo, demitiu dois funcionários e suspendeu outros sete após uma investigação sobre um vazamento de gás ocorrido no bairro da República no dia 4 de junho. A decisão reflete um compromisso da empresa em manter altos padrões de segurança e responsabilidade em suas operações.
Na segunda-feira, dia 15, a Sabesp anunciou a criação da Diretoria de Segurança Operacional, além da unificação das áreas de Engenharia e Operações. Também houve a divisão da área de Clientes e Tecnologia em duas diretorias distintas, o que demonstra um esforço em melhorar a gestão e a eficiência da empresa.
O programa de tolerância zero com incidentes nas obras foi introduzido no início de junho e trouxe um conjunto de medidas que buscam reforçar os protocolos de engenharia e aumentar a fiscalização dos projetos, visando minimizar os impactos nas comunidades afetadas. A empresa detalhou que o plano de ação se baseia em três pilares principais: procedimentos de engenharia e segurança, intensificação do monitoramento de todas as frentes de trabalho e ampliação do programa de treinamento e capacitação dos colaboradores.
A Sabesp também anunciou que irá triplicar o número de fiscais em campo, passando de 200 para 600 profissionais, além de aumentar a aplicação de tecnologias para monitorar as obras em andamento.
Em um episódio anterior, no mês passado, uma explosão trágica no bairro do Jaguaré resultou na morte de duas pessoas e ferimentos em outras duas. Essa ocorrência envolveu outra obra da Sabesp, onde moradores relataram um forte cheiro de gás horas antes do incidente, o que levou à interdição de várias casas.
O Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (Seesp) expressou suas preocupações a respeito da segurança e da integridade das operações, apelando por uma apuração rigorosa e revisão das políticas de gestão, que podem colocar em risco tanto os trabalhadores quanto o interesse público. O sindicato destacou que a desestruturação técnica que vem afetando a Sabesp nos últimos anos é alarmante, especialmente em um contexto de privatização e redução das equipes.
A privatização da Sabesp, a maior companhia de saneamento do Brasil, foi finalizada em 23 de julho de 2024. O sindicato ressaltou que a operação de saneamento básico depende não apenas de equipamentos, mas também de uma mão de obra qualificada. A priorização de resultados financeiros em detrimento da segurança e da experiência técnica pode comprometer a segurança e a qualidade dos serviços prestados.
O Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo (Sintaema) também alertou sobre as demissões que ocorreram desde a privatização e sobre os riscos de aumento de acidentes devido à diminuição das equipes de manutenção e resposta rápida.
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