Em janeiro de 2023, logo após sua posse, o presidente Lula visitou Roraima diante da alarmante situação de indígenas Yanomami enfrentando desnutrição. Na ocasião, ele prometeu tratar a crise como uma “questão de Estado”. Desde então, mais de R$ 1,7 bilhão em créditos extraordinários foram destinados à terra Yanomami, mas os problemas persistem.
No dia 8 de julho, a Subcomissão Permanente dos Povos Indígenas Yanomami, sob a presidência da senadora Damares Alves (Republicanos-DF), aprovou um relatório que aponta falhas estruturais na resposta do governo federal ao território.
O relatório, que foi acessado, é fruto de uma diligência realizada em Boa Vista, em maio deste ano.
A reforma da Casa de Apoio à Saúde Indígena está paralisada devido ao descumprimento de contrato, e a unidade opera com superlotação, abrigando cerca de 480 pessoas em um espaço destinado para 450.
Lideranças locais relataram interrupções na entrega de cestas de alimentos e um aumento alarmante nos casos de malária, que é exacerbado pelas cavas de garimpo que acumulam água parada. Além disso, as escolas em comunidades como Olomai, Budu-U e Mucajaí permanecem fechadas, enquanto aumentam os atendimentos por ferimentos causados por armas de fogo e por consumo excessivo de álcool. Em Boa Vista, indígenas que buscam sacar o Bolsa Família estão enfrentando problemas como a retenção de cartões e empréstimos irregulares.
O relatório também ressalta que, embora as operações de desintrusão tenham reduzido significativamente a atividade garimpeira ilegal, os impactos dessa prática ainda afetam as comunidades indígenas.
A subcomissão pretende oficiar os ministérios para cobrar informações sobre os contratos com a empresa Voare Táxi Aéreo entre 2023 e 2026, os valores repassados às Forças Armadas e à AgSUS para logística aérea, além do uso detalhado dos créditos extraordinários das três medidas provisórias editadas para o território.

