O senador Jaques Wagner, do Partido dos Trabalhadores (PT) e ex-líder do governo no Senado, se viu no centro de uma controvérsia ao tentar vender um terreno avaliado em R$ 15,8 milhões um dia após uma operação da Polícia Federal (PF) que investiga alegações de recebimento de propina pelo Banco Master. O fato ocorreu em 19 de junho de 2026, quando a transação foi protocolada no cartório de registro de imóveis, mas foi imediatamente barrada por uma ordem de bloqueio de bens emitida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça.
De acordo com informações divulgadas, Wagner também havia tentado vender outro imóvel, avaliado em R$ 10 milhões, uma semana antes da operação da PF. Contudo, com a ordem de indisponibilidade dos bens, essa negociação também não foi concluída. O cartório responsável não autorizou a transmissão de propriedade, o que impediu a concretização das vendas.
Apesar da ordem de bloqueio, o senador já teria recebido pelo menos R$ 12 milhões referentes a essas transações. Wagner, que é pré-candidato à reeleição pelo Estado da Bahia, deixou recentemente a liderança do governo no Senado. As investigações revelam que ele protocolou a venda de um terreno de 51 mil metros quadrados, adquirido em 2000, no 1º Ofício de Registro de Imóveis de Camaçari, na Bahia, logo após a operação da PF.
“Em cumprimento ao protocolo nº (…), expedido pelo ministro André Luiz de Almeida Mendonça, fica averbada nesta data a indisponibilidade sobre o imóvel objeto da matrícula supra, de propriedade de Jaques Wagner”, registrou o cartório.
A área do terreno está situada na Região Metropolitana de Salvador e seria vendida a uma empresa ligada ao Grupo City, com planos para desenvolver um empreendimento imobiliário próximo ao novo centro de treinamento do Bahia, um dos principais clubes de futebol do Estado. Antes de protocolar a venda, Wagner teria ajustado a forma de pagamento com a empresa compradora, recebendo inicialmente um pagamento à vista de R$ 2 milhões e o restante por meio de lotes do novo empreendimento.
Além disso, dias antes da operação da PF, Wagner vendeu seu apartamento em Salvador, localizado no Corredor da Vitória, por R$ 10 milhões para o prefeito de Conceição do Coité, Marcelo Passos de Araújo. Essa transação foi registrada em 10 de junho, mas também foi suspensa devido à ordem de bloqueio do STF.
A defesa de Jaques Wagner, em nota, negou qualquer irregularidade nas transações, afirmando que ele não se manifestará sobre condutas que não estejam relacionadas à sua campanha eleitoral e que todas as informações são públicas.
As investigações da PF indicam que o senador teria solicitado a compra de um apartamento de luxo de R$ 2,5 milhões em Salvador, destinado à sua filha, acusação que ele nega categoricamente.
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