Nova reforma tributária une CBS e IBS para simplificar cobranças no Brasil. Mecanismo de pagamento instantâneo divide opiniões entre empresários e especialistas.
A reforma tributária, que promete modernizar o sistema de impostos no Brasil, avança com as diretrizes apresentadas pelo Ministério da Fazenda e pelo Comitê Gestor. A proposta inclui a implementação da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que visam unificar a tributação sobre o consumo. Contudo, essa movimentação gera preocupações sobre a complexidade do novo sistema tributário.
O governo aposta na implementação do split payment, um mecanismo que busca garantir o recolhimento imediato dos tributos no momento da transação. Embora a proposta oficialize a ideia de simplificação, muitos especialistas argumentam que, na prática, ela resulta apenas na troca de quatro tributos conhecidos por um sistema dual, o que pode complicar ainda mais a gestão tributária das empresas.
Atualmente, os vendedores têm a gestão do fluxo de caixa antes de repassar os valores ao fisco. Com a nova estrutura, o governo se apropriará do montante antes mesmo de chegar às mãos dos empresários. A eficiência prometida no papel pode se transformar em um experimento fiscal sem precedentes, levando muitos a questionar o verdadeiro custo dessa “facilitação” para o contribuinte.
“Estamos vivendo um momento extremamente complicado no Brasil, onde os Poderes se confundem e a insegurança jurídica impera”, afirmou um especialista durante debate sobre o tema.
O novo sistema tributário, que já começou a ser implementado com a CBS e deve incluir o IBS até 2029, promete aumentar significativamente o número de artigos relacionados à tributação do consumo no Código Tributário Nacional. A expectativa é de que a quantidade de artigos sobre este tema seja dez vezes maior do que os atualmente existentes, o que pode resultar em um aumento considerável no custo de conformidade para as empresas.
Durante a transição, as empresas terão que lidar com dois sistemas tributários distintos, o que pode gerar uma sobrecarga administrativa e exigir investimentos em tecnologia e assessoria jurídica. O risco é de que, em vez de eliminar a burocracia, o Brasil institucionalize um “monstro de duas cabeças” que complicará ainda mais o cumprimento das obrigações fiscais.
“Confesso que minha inteligência é limitada demais para compreender uma simplificação tão complexa quanto a que vem sendo implementada”, comentou um dos debatedores.
É essencial que continuemos a debater e refletir sobre essas questões. Com a renovação do Legislativo prevista para 2027, espera-se que novos deputados e senadores possam contribuir para uma reflexão aprofundada sobre como simplificar o sistema tributário de maneira eficaz.
As incertezas que giram em torno da reforma tributária não são apenas questões acadêmicas; elas têm um impacto direto sobre o investimento produtivo. Um ambiente de incerteza tributária pode inibir a iniciativa privada e adiar projetos estratégicos, comprometendo o crescimento econômico e a geração de empregos no Brasil.
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