Brasília sediou debate internacional sobre ética na magistratura com representantes de 17 países. O evento, liderado pelo presidente do STJ, Herman Benjamin, propôs um código de ética para tribunais superiores.
No dia 1º de junho de 2026, Brasília recebeu um importante congresso internacional que se dedicou a discutir a ética na magistratura. O evento, liderado por Herman Benjamin, presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), contou com a participação de representantes de Cortes Superiores de 17 países. Este encontro, que ganhou o nome informal de ‘anti-Gilmarpalooza’, ocorreu em um momento em que Lisboa sediava um fórum semelhante, mas com uma proposta bastante distinta.
O congresso em Brasília se destacou pela proposta de estabelecer um código de ética para tribunais superiores, defendido por Benjamin. Em contrapartida, o fórum em Lisboa, conduzido pelo ministro Gilmar Mendes do Supremo Tribunal Federal (STF), mesclou autoridades e empresários em um ambiente mais social, levantando críticas sobre a influência de interesses corporativos na justiça.
‘A ética judicial deve ser uma prioridade na nossa sociedade’, afirmou Herman Benjamin durante o evento, reafirmando seu compromisso com a integridade judicial.
A escolha de qual evento participar revela as diferentes posturas dos ministros em relação à ética judicial. Edson Fachin, presidente do STF, e Cármen Lúcia, relatora do código de ética no Supremo, marcaram presença no congresso em Brasília. Enquanto isso, Kassio Nunes Marques, que não se manifestou publicamente sobre o tema, estava programado para a conferência de encerramento na capital federal.
Naquele mesmo dia, um grupo de ministros, incluindo Alexandre de Moraes e Luis Felipe Salomão, futuro presidente do STJ, estava em Lisboa, onde o evento contava com a participação de diversas autoridades e até mesmo nomes do governo federal. Flávio Dino, do STF, cancelou sua presença por motivos de saúde, mas a expectativa era que figuras influentes como o procurador-geral da República e o governador paulista comparecessem ao evento.
Os temas tratados no congresso de Brasília foram de extrema relevância, abordando a independência judicial, conflitos de interesse e os desafios éticos enfrentados pelos magistrados. A revisão dos Princípios de Bangalore, que servem como referência internacional de conduta judicial, foi uma das pautas centrais do encontro. Em contraste, o fórum em Lisboa discutiu assuntos variados, como polarização ideológica e inovação em setores como cartórios e saúde, com forte presença empresarial.
A programação social também se diferenciou bastante: enquanto o evento em Brasília se limitou a um almoço e um jantar institucionais, Lisboa ofereceu uma agenda repleta de jantares e coquetéis em locais sofisticados, financiados por instituições financeiras e empresas. Para muitos participantes, essas interações informais eram tão atraentes quanto as discussões formais, gerando debates sobre a ética das relações entre o setor público e privado.

