Ex-presidente afirma não dar 'maior importância' à medida americana. Para Temer, cooperação internacional contra o crime organizado é passo natural, já que criminosos ignoram fronteiras.
O ex-presidente Michel Temer (MDB) expressou, em declarações feitas na última terça-feira, que não considera que a recente classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas globais pelos Estados Unidos tenha um grande impacto. Segundo ele, a cooperação entre países no combate ao crime organizado é um passo natural e necessário, uma vez que esse tipo de crime não respeita fronteiras geográficas.
“Eu não dou maior importância a isso [à classificação]”, afirmou Temer em uma entrevista ao portal Jota. Ele enfatizou que o crime atualmente é internacional, e que a ideia de um inter-relacionamento entre os países é fundamental para enfrentar esses desafios. Para ele, o que realmente importa é o combate ao crime, e não questões de soberania.
“Vamos deixar isso de lado. A soberania que interessa é a tranquilidade do povo brasileiro”, declarou Temer. “Se isso importar na eliminação desses grupos, eu sei como é que é, nós estamos em um período eleitoreiro. Então durante as eleições tudo é aproveitável, de um lado e outro. Argumentos para os dois lados. Para o meu paladar, o que vale é combater o crime organizado.”
A mudança no status jurídico e financeiro das facções brasileiras foi definida pelo Departamento de Estado dos EUA na semana anterior. Em um comunicado, a Casa Branca alertou que esses grupos, que comandam milhares de integrantes, promovem ações violentas na América Latina e já afetam o território norte-americano. A nova classificação começou a valer formalmente a partir do dia 5 de junho deste ano. O senador americano Marco Rubio afirmou que Washington irá utilizar mecanismos administrativos para bloquear o fluxo financeiro do narcotráfico.
A ofensiva diplomática da administração americana ganhou força na mesma semana, resultado de uma articulação da oposição brasileira. O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), se reuniu com o ex-presidente Donald Trump no dia 26 de maio, onde sugeriu o enquadramento internacional do PCC e do CV. Além disso, ele também discutiu estratégias de segurança pública em Washington com o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, e com Marco Rubio. Esses encontros em solo norte-americano precederam o anúncio oficial da classificação das facções como terroristas.

