Em Milwaukee, o comissário Maroš Šefčovič afirmou que a UE pode retomar em breve as importações brasileiras de frango e mel. A declaração ocorreu em reunião com ministros brasileiros durante encontro do G20.
As exportações brasileiras de frango e mel para a União Europeia podem ser retomadas no curto prazo, indicou nesta quarta-feira (30) o comissário europeu de Comércio e Segurança Econômica, Maroš Šefčovič, durante reunião em Milwaukee com os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços). O encontro ocorreu à margem da reunião de ministros de Comércio do G20, que reúne as 19 maiores economias do planeta, mais União Europeia e União Africana.
Segundo nota conjunta do Itamaraty e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), o representante europeu mencionou o resultado positivo de uma auditoria realizada recentemente no Brasil e afirmou que, após a conclusão dos procedimentos burocráticos, os embarques de carne de aves e mel para os países do bloco poderão ser retomados no curto prazo. Essa sinalização representa um passo importante nas negociações diplomáticas e sanitárias conduzidas pelo governo brasileiro desde a suspensão.
A decisão final sobre a retomada será analisada pelo Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações da Comissão Europeia, cuja reunião técnica está prevista para os dias 20 e 21 de outubro. O Ministério da Agricultura solicitou que o relatório da auditoria seja incluído na pauta do comitê. Na avaliação divulgada esta semana, a Comissão Europeia considerou satisfatório o sistema brasileiro de produção nas cadeias de aves e mel e concluiu que o país apresenta condições para cumprir as exigências europeias relacionadas ao uso de antimicrobianos.
Durante a fiscalização, os auditores verificaram controles brasileiros que impedem o uso de antimicrobianos para estimular o crescimento dos animais ou aumentar o rendimento da produção. Esse reconhecimento técnico não determina, por si só, a retomada imediata das compras, mas cria o ambiente técnico necessário para que os procedimentos administrativos e regulatórios avancem.
O governo brasileiro também busca um procedimento acelerado para a retomada das exportações de carne bovina e manifestou expectativa de que tratamento semelhante ao dado às cadeias de aves e mel possa ser aplicado à proteína bovina. Contudo, a situação da carne bovina envolve exigências adicionais: a comprovação do controle sanitário depende do acompanhamento de todo o ciclo de vida do animal, do nascimento ao abate. Esse processo de rastreabilidade pode levar até dois anos, o que torna a reversão da restrição mais complexa.
A suspensão das importações pela União Europeia entrou em vigor em 3 de setembro e atingiu produtos como carne bovina, suína e de frango, além de mel, pescados, ovos e outros itens de origem animal. Desde então, autoridades brasileiras mantêm negociações com representantes europeus para reverter as restrições.
Na reunião em Milwaukee, também foram discutidas as restrições da UE às importações de aço. Segundo o governo brasileiro, o bloco está revisando a distribuição das cotas para produtos siderúrgicos; a mudança poderá abrir espaço para o Brasil, embora o processo ainda tenha etapas adicionais previstas para 2027.
Para produtores e exportadores, a orientação prática é acompanhar de perto a inclusão do relatório da auditoria na pauta do comitê europeu e preparar documentação de rastreabilidade e conformidade sanitária. A sinalização europeia cria expectativa de retomada de mercado, mas depende de decisões técnicas e burocráticas nos prazos anunciados.
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