O banqueiro Daniel Vorcaro voltou à ofensiva e apresentou uma nova versão de delação premiada à PF e à PGR. A PGR ainda analisa a proposta inicial, enquanto a PF havia sinalizado encerramento das negociações.
A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro apresentou recentemente à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma nova versão da delação premiada, após a rejeição do documento anterior. A nova proposta foi entregue na segunda-feira (1) e, no dia seguinte, os advogados do banqueiro anexaram um complemento à documentação.
É importante destacar que a PGR ainda está em processo de análise da primeira proposta apresentada. Na análise anterior, a PF havia declarado que não continuaria as negociações com o proprietário do Banco Master. Essa mudança de postura ocorreu após a saída do advogado de Vorcaro, José Luís de Oliveira Lima, conhecido como Juca, que deixou o caso após a rejeição da delação.
No dia 18 de maio, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a transferência de Vorcaro para uma cela comum na Superintendência Regional da PF no Distrito Federal, suspendendo também o acesso dos advogados às visitas em qualquer período do dia. Quando iniciou o processo de delação premiada, Vorcaro estava custodiado na mesma sala que o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A transferência para uma cela comum foi interpretada como um indício de que as negociações de cooperação não estavam progredindo. Em 6 de maio, a defesa de Vorcaro já havia enviado a nova proposta de delação, após a PF e a PGR rejeitarem a primeira versão, alegando que o conteúdo estava incompleto e não respondia às dúvidas dos investigadores.
O material mais recente foi entregue às autoridades em um pen drive, e a defesa acreditava que a nova delação poderia assegurar a liberdade do banqueiro. A proposta incluía diversos anexos e sugeria o pagamento de uma multa bilionária.
No dia 23 de maio, o ex-presidente da OAB-MG e atual procurador-geral da OAB Nacional, Sérgio Leonardo, assumiu a defesa de Daniel Vorcaro, trazendo novas perspectivas para o caso.
Por outro lado, surgiram informações sobre troca de mensagens entre Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) antes da prisão do banqueiro, que tentava fugir do país em novembro de 2025. As mensagens revelaram um acordo onde Vorcaro se comprometeria a repassar 24 milhões de dólares (cerca de R$ 134 milhões na época) para financiar o filme “Dark Horse”, que retratará a história do ex-presidente Jair Bolsonaro, com lançamento previsto para 11 de setembro de 2026.
Além disso, pouco antes de um encontro agendado entre Flávio e Vorcaro em dezembro de 2024, o deputado federal Mario Frias (PL-SP) enviou um áudio ao banqueiro agradecendo pelo apoio ao filme. Na semana anterior, após as revelações sobre a negociação, Frias declarou que Vorcaro não havia contribuído com “um único centavo” para a produção.
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