São Paulo (SP) – O diretor japonês Hideo Kojima voltou à Brasil Game Show (BGS) oito anos depois de sua última passagem pelo evento. A visita anterior ocorreu em 2015, logo após o lançamento de Metal Gear Solid V: The Phantom Pain. Desta vez, o criador desembarcou no país nos últimos compromissos da World Strand Tour de Death Stranding 2, turnê que destaca a trilha sonora do novo jogo.
Coletiva com imprensa brasileira
Durante cerca de uma hora, Kojima respondeu perguntas de veículos nacionais em uma coletiva restrita. Questionado sobre a diversidade de personagens, afirmou que o critério não foi nacionalidade, mas a inspiração em obras como Star Trek, conhecidas por reunir tripulações de múltiplas origens. “Desde criança assisto a séries, filmes, leio romances e ouço música de todo o mundo. Sempre imaginei uma equipe formada por pessoas diferentes enfrentando um mesmo desafio”, explicou.
Solidão em um mundo hiperconectado
O game designer relembrou que o tema central do primeiro Death Stranding era a solidão, exemplificada por Sam Bridges viajando sozinho para reconectar América, México e Austrália. Em Death Stranding 2, Sam continua carregando esse peso, mas agora conta com companheiros a bordo da nave DHV Magellan. “Até dentro da família existe um momento em que você se sente só; quis retratar isso”, disse.
Kojima detalhou ainda a criação do Social Strand System, que vincula o progresso de cada jogador às ações de outros “Sams” online. Ele lembrou a resistência inicial de parte da equipe, especialmente em torno da moeda “Likes”, que não serve para comprar equipamentos. “Hoje tudo está online; mesmo assim existe solidão. Quis abordar essa contradição sem recorrer ao combate tradicional dos jogos multiplayer”, afirmou.
“Será que deveríamos ter nos conectado?”
Segundo Kojima, Death Stranding 2 traz tom mais leve, com cenas cômicas e mecânicas inusitadas — como um caixão flutuante usado como skate — para evitar a sensação de jornada solitária que afastou alguns jogadores do título original. A frase promocional “Should we have connected?” (“Será que deveríamos ter nos conectado?”) surge, porém, como alerta para os excessos. A experiência da pandemia de Covid-19 influenciou diretamente essa abordagem. “Conexão pode ser positiva, mas, quando é demais, ocorre fragmentação”, comentou, citando o novo logotipo do jogo, no qual o fio aparece pendurado na parte superior, em contraste com o emblema do primeiro título.
Antagonistas, elenco e performances
Kojima afirmou que prefere antagonistas com histórias complexas a vilões convencionais e revelou incômodo com o desfecho tradicional do inimigo em Death Stranding. Sobre o elenco, elogiou a versatilidade de Norman Reedus (Sam) e destacou uma cena de Léa Seydoux (Fragile) em que a personagem derrota um oponente com as próprias mãos, grita e, em seguida, fuma um cigarro chorando. “Quero atores renomados para dar alma aos personagens, não para transformar o jogo em filme”, afirmou, ressaltando a dificuldade de agenda desses profissionais.
Imagem: Internet
Pandemia moldou a sequência
Para o criador, desenvolvedores não conseguem se desvincular do contexto sociocultural. Ele citou o próprio período de isolamento e problemas de saúde durante a Covid-19 como fatores que influenciaram o novo enredo. “Death Stranding saiu antes da pandemia; se fosse lançado depois, seria muito diferente”, observou.
A presença de Kojima na BGS reforça a relação do autor com o público latino-americano e antecipa novidades de Death Stranding 2, previsto para 2025.
Com informações de TheGamer
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