Enquanto os grandes estúdios de games seguem ciclos de tendências — atualmente dominados por aventuras de ação em terceira pessoa —, o cenário independente se consolida como espaço para a sobrevivência de quase todos os gêneros já criados.
Indústria de grande orçamento repete fórmulas
Nos anos 2000, jogos de tiro em primeira pessoa eram maioria; nos anos 1990, misturavam-se aventuras point-and-click, RPGs japoneses, plataformas 3D e os primeiros FPS de sucesso. Já na década de 1980, praticamente tudo girava em torno de Super Mario. Hoje, para alcançar o público de consoles, títulos triple-A tendem a oferecer perspectivas em terceira pessoa, histórias guiadas por cutscenes e combates corpo a corpo — características presentes, por exemplo, em “Ghost of Yotei” e “Like a Dragon: Pirate Yakuza in Hawaii”.
Liberdade criativa impulsiona variedade indie
Com orçamentos menores e equipes reduzidas, desenvolvedores independentes precisam formar seu público do zero, transformando a diferença em vantagem competitiva. O resultado é uma lista diversificada de lançamentos recentes ou em produção, como:
- Despelote – experiência em primeira pessoa sobre futebol em Quito antes da Copa de 2002;
- Dispatch – aventura narrativa no estilo Telltale com trechos de gerenciamento de super-heróis de quinta categoria;
- Hades 2 – roguelike isométrico ambientado no submundo grego;
- Silksong – metroidvania estrelado por uma guerreira inseto;
- Títulos AAA como “Ghost of Yotei” e “Pirate Yakuza” completam a lista, mas compartilham estrutura semelhante, evidenciando a homogeneidade do segmento de alto orçamento.
Gêneros considerados “mortos” ganham nova vida
A perspectiva fixa de câmera, popular em clássicos dos anos 1990, raramente aparece em produções atuais de grande orçamento, mas segue relevante em jogos independentes. Exemplos recentes incluem os survival horrors Signalis e Crow Country — este último permite girar levemente o enquadramento, mantendo o ponto de vista isométrico típico de Resident Evil original. A mesma lógica vale para outras categorias:
Imagem: Internet
- FPS rápidos e violentos no estilo Doom, como Dusk;
- Imersive sims inspirados em Thief, caso de Gloomwood;
- Simuladores de fazenda revitalizados por Stardew Valley;
- Títulos com arte quadro-a-quadro, como Cuphead;
- Plataformas de horror atmosférico, como Limbo, Inside e Little Nightmares;
- Mistério investigativo em câmera fixa, exemplo de The Case of the Golden Idol.
Para cada novato que pergunta “que tipo de jogo posso criar?”, há liberdade genuína de responder com estilos que o mercado tradicional considera ultrapassados. É essa margem de experimentação que garante a permanência — e a renovação — de gêneros inteiros no cenário contemporâneo.
Com informações de TheGamer
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