São Paulo – Daniel Vávra, diretor do Warhorse Studio e responsável por Kingdom Come: Deliverance, saiu em defesa da Larian Studios depois de críticas ao uso de inteligência artificial (IA) no desenvolvimento de jogos. A reação negativa surgiu quando Swen Vincke, chefe da Larian, afirmou que a tecnologia é empregada em tarefas internas do estúdio.
Relembre o caso
Na última semana, Vincke revelou que a equipe utiliza IA generativa para criar apresentações em PowerPoint, produzir referências iniciais para artistas conceituais e elaborar textos temporários. A declaração provocou protestos de fãs, que acusaram o estúdio de comprometer a criatividade. Diante da repercussão, o diretor da Larian defendeu publicamente a prática nas redes sociais.
“IA veio para ficar”, diz Vávra
No X (antigo Twitter), em 17 de dezembro de 2025, Vávra comparou a reação dos jogadores à destruição de locomotivas a vapor no século XIX. Para o desenvolvedor, se a ferramenta economiza dezenas ou centenas de horas de trabalho, não há motivo para deixá-la de lado.
“O que mais odeio em fazer jogos é levar sete anos, envolver 300 pessoas e custar dezenas de milhões de dólares”, afirmou. Ele citou ainda o exemplo de um ator que precisou gravar 500 horas de falas genéricas para Kingdom Come. “Tenho toneladas de ideias, mas já tenho 50 anos e levei sete anos para fazer um jogo. Se a IA me ajuda a concretizar essas ideias mais rápido, estou dentro.”
Benefícios para equipes menores
Vávra acredita que a tecnologia permite que designers, roteiristas e programadores deixem de executar tarefas repetitivas e se concentrem em elementos essenciais do jogo. Segundo ele, equipes reduzidas podem se beneficiar especialmente dessa automação.
Imagem: Larian Studios
Vozes geradas por IA
O diretor também comentou sobre o uso de vozes sintéticas, como no projeto Arc Raiders. Para ele, empregar IA em diálogos genéricos é aceitável, desde que dubladores profissionais continuem responsáveis por cutscenes e segmentos centrais da história. “Já existem ferramentas que permitem a um NPC responder sobre qualquer assunto. Seria impossível gravar tudo isso com atores”, explicou.
Preocupações persistem
Apesar do apoio à adoção de IA, Vávra demonstrou cautela quanto à criação de músicas e à programação automatizada, afirmando não saber se a tecnologia representará uma revolução ou um risco para a humanidade. “Pode simplificar centenas de horas em minutos — ou ser nossa Skynet. Mas não há como parar”, concluiu.
Com informações de Flow Games
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