A Digital Extremes, estúdio conhecido pelo desenvolvimento de Warframe, está trabalhando em seu primeiro novo jogo em quase uma década: Soulframe. O título, atualmente disponível em acesso antecipado no formato chamado “Preludes”, foi descrito pelo próprio CEO da empresa como uma reação direta ao momento atual vivido pelo mundo.
“Apelar ao motivo estético ou emocional pelo qual faríamos [Soulframe] é, em certo sentido, uma resposta ao cinismo do mundo em que nos encontramos hoje”, afirmou Steve Sinclair, CEO da Digital Extremes, em entrevista concedida à Game Informer durante visita ao estúdio, localizado em Ontário, no Canadá. “E acho que isso está mais nítido do que quando começamos.”
Inspiração em ‘O Senhor dos Anéis’
Sinclair citou um artigo publicado pelo New York Times em 2021 sobre o apelo da trilogia O Senhor dos Anéis. O texto argumenta que os filmes ressoam tanto com o público por retratar homens em contato com as próprias emoções e transmitir a ideia de que as pessoas podem ser redimidas. A partir dessa leitura, o CEO explicou a direção criativa que o estúdio escolheu para Soulframe.
“Neste gênero, de modo geral, a tendência é ser sombrio, suado, desolador e pesado. Eu adoro Game of Thrones tanto quanto qualquer pessoa, mas acho que queríamos dar um toque de Princesa Disney a tudo isso”, disse Sinclair.
Jogo não celebra a violência
Diferente de outros títulos do gênero, Soulframe optou por não exaltar os momentos de combate e destruição. A maior satisfação do jogo está reservada para quando o jogador elimina a corrupção presente na natureza e restaura as criaturas conhecidas como Omen Beasts ao seu estado original de harmonia.
A narrativa central do jogo gira em torno de um herói que tenta impedir uma raça inimiga extraterrestre de explorar os recursos naturais do mundo chamado Alca. As missões principais disponíveis no Preludes envolvem salvar essas criaturas e conter a poluição causada pela industrialização no mundo do jogo.
“Não vamos celebrar a destruição de corpos humanos nem decapitações e outros elementos que você talvez veja no gênero, mas, em vez disso, tentar trazer uma sensação de ‘pisar na grama’”, afirmou Sinclair, reconhecendo a ironia de usar a expressão — que normalmente significa parar de jogar videogame e sair de casa. “Essa é a grande motivação emocional por trás de por que achamos que vale a pena fazer este jogo, mesmo com o Warframe indo tão bem.”
Reflexo de uma era fragmentada
Geoff Crookes, diretor criativo de Soulframe e ex-diretor de arte e animação de Warframe, reforçou que os temas do MMO de fantasia são “um reflexo da nossa era”.
“É um reflexo de como estamos fragmentados. Não há mais uma comunidade compartilhada, não há mais uma verdade compartilhada. Não estamos tentando curar o mundo, mas se há coisas que podemos fazer no jogo para incentivar uma jogabilidade orientada pela comunidade, é aí que começamos a nos empolgar com o que o jogo pode reforçar”, declarou Crookes.
Sarah Asselin, líder de comunidade do jogo, contou que frequentemente vê comentários no Discord e em transmissões ao vivo de jogadores que dizem adorar simplesmente “não fazer nada” dentro de Soulframe. “Até apenas correr pela floresta e se imergir nesse belo mundo que estamos construindo lentamente — parece um escape aconchegante e otimista”, relatou Asselin.
Acesso antecipado como laboratório criativo
Sinclair destacou que o programa de acesso antecipado Soulframe Preludes funciona como um espaço para o estúdio testar adições de conteúdo e verificar, junto à base de jogadores, se a harmonia que a equipe busca está sendo alcançada no jogo.
Mais informações sobre Soulframe podem ser encontradas diretamente no hub dedicado ao jogo na Game Informer.
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