A Commvault anunciou o lançamento do AI Protect, uma solução voltada para ambientes corporativos de nuvem que permite descobrir, monitorar e reverter ações executadas por agentes de inteligência artificial autônomos. A ferramenta é compatível com as três principais plataformas de nuvem do mercado: AWS, Microsoft Azure e Google Cloud.
O produto surge em resposta a um problema crescente de governança em infraestruturas corporativas. Agentes de software autônomos já são capazes de excluir arquivos, consultar bancos de dados, inicializar clusters de servidores e até reescrever políticas de acesso — tudo sem supervisão humana direta. Quando uma dessas operações resulta em dano, as equipes de segurança precisam reverter não apenas os dados afetados, mas toda a pilha de sistemas envolvida.
O modelo tradicional de governança de TI é baseado em regras estáticas: um usuário humano recebe permissões específicas e executa tarefas previsíveis. Com agentes de IA, esse modelo se torna insuficiente. Um agente pode combinar permissões individualmente aprovadas de formas não previstas para resolver um problema. Se o sistema concluir que a maneira mais eficiente de reduzir custos de armazenamento em nuvem é apagar um banco de dados de produção inteiro, ele executará esse comando em milissegundos — sem questionar a lógica, ao contrário de um engenheiro humano.
Pranay Ahlawat, Chief Technology and AI Officer da Commvault, explicou o cenário que motivou o desenvolvimento da solução:
“Em ambientes agênticos, os agentes alteram estados em dados, sistemas e configurações de formas que se acumulam rapidamente e são difíceis de rastrear. Quando algo dá errado, as equipes precisam recuperar não apenas os dados, mas toda a pilha — aplicações, configurações de agentes e dependências — de volta a um estado conhecido e seguro.”
Um dos desafios endereçados pelo AI Protect é o chamado Shadow AI, termo que descreve agentes criados por desenvolvedores com credenciais corporativas sem o conhecimento das equipes de segurança. Essa prática é comum em ambientes de teste, onde modelos de linguagem são conectados a repositórios internos de dados para experimentos com novos fluxos de trabalho.
A ferramenta da Commvault mapeia esses agentes ocultos e os torna visíveis para as equipes de TI. A partir daí, passa a monitorar todas as chamadas de API realizadas pelo agente, registrando cada leitura de banco de dados, cada modificação de armazenamento e cada alteração de configuração nos ambientes AWS, Azure e GCP.
O recurso de reversão funciona como uma camada de segurança. Se um modelo interpretar um comando de forma incorreta ou apresentar comportamento inesperado, os administradores podem restaurar o ambiente ao estado exato anterior ao início da sequência de ações destrutivas.
A complexidade técnica dessa reversão é considerável. A infraestrutura de nuvem é altamente interconectada, o que significa que desfazer uma cadeia de ações automatizadas exige rastreamento preciso. Não basta restaurar uma única tabela de banco de dados se o agente também modificou regras de rede, disparou funções serverless e alterou políticas de gerenciamento de identidade e acesso durante a mesma sessão.
Para resolver esse problema, o AI Protect combina arquitetura tradicional de backup com monitoramento contínuo de nuvem. O software mapeia o alcance das ações do agente e separa as mudanças realizadas pela IA das alterações legítimas feitas por usuários humanos no mesmo período. Dessa forma, a reversão não compromete transações válidas de clientes nem apaga horas de trabalho legítimo de engenharia.
Siga o Ensinando a Vencer e receba nossos conteúdos em primeira mão.






