Na última quarta-feira, 27 de maio de 2026, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) tomou uma decisão significativa ao suspender provisoriamente o projeto Boulevard São João, popularmente conhecido como a ‘Times Square paulistana’. Este projeto ambicioso visava a instalação de grandes painéis de LED em prédios localizados no cruzamento das avenidas Ipiranga e São João, no coração da capital paulista.
A ação foi determinada pela 4ª Vara de Fazenda Pública, sob a responsabilidade da juíza Celina Kiyomi Toyoshima, após um processo popular que questionava a iniciativa da prefeitura. Entre os principais argumentos apresentados para a suspensão, a juíza destacou que a magnitude do projeto e seu potencial impacto na região poderiam causar um ‘dano à toda população’.
Com a decisão, está proibido o início de ‘quaisquer obras, instalações ou intervenções’ relacionadas ao projeto, incluindo a montagem e instalação dos painéis de LED nos edifícios Cine Paris República, Herculano de Almeida, Galeria Sampa e New York. Além disso, estão suspensas as projeções mapeadas no Edifício Independência II, sob pena de multa diária. A juíza também ordenou a abertura de uma nova vista ao Ministério Público, para que tome conhecimento da liminar concedida.
“O tamanho do projeto e seu impacto são preocupantes, e devemos considerar o bem-estar da população”, afirmou a juíza em sua decisão.
O projeto Boulevard São João, que foi apelidado de ‘Times Square de São Paulo’, tinha previsão de início entre agosto e setembro de 2026. O termo de cooperação de três anos entre a prefeitura e a Fábrica de Bares, que é responsável por empreendimentos como o Bar Brahma, foi publicado no Diário Oficial em 23 de abril de 2026.
Previsto para contar com quatro painéis de LED, com tamanhos variando de 300 a 1.000 m², o projeto tinha como objetivo transmitir, em sua maior parte, conteúdo cultural e de utilidade pública, com apenas 30% destinado a patrocinadores. A Fábrica de Bares estava disposta a investir pelo menos R$ 2 milhões por ano em melhorias ao longo do triênio, incluindo o restauro de monumentos históricos e a instalação de mobiliário urbano.
A expectativa de empresários e do poder público era que essas intervenções aumentassem a atratividade e a circulação de pessoas, contribuindo para a revitalização do centro histórico da cidade. Contudo, a decisão da justiça reabre o debate sobre os impactos de grandes projetos urbanos e a necessidade de um equilíbrio entre desenvolvimento e preservação dos interesses da comunidade.
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