Investigação federal aponta que Daniel Vorcaro usava empresa para distribuir valores em esquema suspeito. Irmão de procurador-geral da Bahia aparece com codinome nas mensagens interceptadas.
A Polícia Federal (PF) está conduzindo uma investigação que envolve o empresário Marcelo Maia Souza Marques e Daniel Vorcaro, ambos relacionados a pagamentos à empresa Mídias Promotora. Marcelo é irmão de Pedro Maia Souza Marques, o procurador-geral de Justiça da Bahia. A investigação aponta que o proprietário do Banco Master utilizava a Mídias Promotora para distribuir valores a membros de um esquema ligado ao Rioprevidência.
A PF interceptou mensagens no celular de Vorcaro, onde Marcelo aparece usando o codinome “Marcelo Terra Firme”. Este nome está associado a Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master. De acordo com os investigadores, Lima tinha uma conexão direta com os investimentos do Rioprevidência em letras financeiras do banco.
Em uma troca de mensagens realizada em maio de 2024, Vorcaro questionou Marques sobre um pagamento: “Tudo bem? Mídias Promotora, 8 pau?”. A resposta de Marques foi rápida: “Fala, irmão. Bati com o Félix hoje de manhã. Ele disse que validou na sexta e pediu pra pagar hoje somente. O valor é esse mesmo. Se quiser, posso te ligar pra alinhar [sic]”.
A PF também informou que Ricardo Siqueira Rodrigues era o controlador da Mídias Promotora, a qual estava registrada em nome de um laranja. Rodrigues atuava como lobista do Banco Master no Rio de Janeiro, captando clientes e alinhando suas políticas com Vorcaro. Dados da Receita Federal revelam que a empresa recebeu R$ 126,6 milhões do banco entre 2023 e 2025, levantando suspeitas sobre a legalidade dos pagamentos.
Os investigadores afirmam que as conversas entre Marques e Vorcaro sugerem a participação ativa de Marcelo na operação de envio de recursos. Além disso, conforme reportado, Marques registrou os domínios dos sites Credicesta.com.br e Credcesta.com.br, que estão conectados à privatização da Ebal, uma estatal baiana que controlava a rede Cesta do Povo. Posteriormente, empresas ligadas a Augusto Lima assumiram a operação, com o Banco Máxima, hoje conhecido como Banco Master, envolvido no processo.
O registro do site da Credcesta foi feito em nome do Banco Máxima em 12 de julho de 2018. Ademais, o empresário é sócio da AMF Consultoria e Assessoria LTDA, junto com André Kruschewsky, ex-diretor do Banco Master e primo do ex-procurador-geral de Justiça da Bahia, Eugênio Kruschewsky.
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