O ministro da Fazenda afirmou ter contato direto com autoridades americanas após os EUA classificarem PCC e CV como grupos terroristas. Ainda não há agenda definida, mas o governo brasileiro reúne informações sobre o caso.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, expressou sua disposição para se reunir com autoridades dos Estados Unidos, embora, no momento, não haja encontros agendados para discutir a recente decisão do governo americano de classificar as facções criminosas brasileiras, Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), como grupos terroristas.
Em uma declaração a jornalistas na noite de segunda-feira, 1º de junho, Durigan afirmou:
“Estou sempre aberto e tenho contato direto com as autoridades norte-americanas, mas por enquanto não há agenda prevista. Estamos reunindo as informações, avaliando os próximos passos e, uma vez que tenhamos um diagnóstico claro, levarei essa posição ao secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent.”
O ministro destacou a principal preocupação do governo brasileiro em relação às possíveis repercussões dessa designação, que poderia impactar negativamente empresas e instituições financeiras do Brasil. Ele enfatizou a necessidade de evitar prejuízos irreais à economia brasileira, afirmando:
“Vamos seguir combatendo as organizações criminosas, temos insistido nesse ponto e faremos o possível para evitar que haja um impacto fantasioso em nossa economia, que seria uma grande injustiça.”
Durigan também mencionou que os empresários brasileiros têm compartilhado suas preocupações com o governo. Ele tem escutado não apenas representantes do setor financeiro, mas também outros empresários, a fim de entender melhor os riscos envolvidos. O ministro ressaltou:
“O foco principal, como o presidente Lula reiterou, é proteger nossos empresários, nossos empregos e nossas instituições financeiras de qualquer ameaça externa. Qualquer colaboração do exterior no combate ao crime organizado é bem-vinda, mas intervenções que possam prejudicar não serão aceitas.”
Quando questionado sobre a nomeação do novo embaixador dos EUA no Brasil, Durigan admitiu que não tinha informações atualizadas. A Casa Branca havia anunciado, na mesma data, a indicação de Daniel Perez, atual presidente da Câmara dos Deputados da Flórida, para o cargo de embaixador. Essa nomeação ainda precisa ser aprovada pelo Senado americano. O Brasil estava sem embaixador desde o início do governo de Joe Biden.
Durigan também relatou que, durante uma reunião anterior com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio da Alvorada, os dois discutiram questões da agenda econômica, incluindo os resultados do PIB do primeiro trimestre, além de uma viagem que o ministro fará à China no final do mês. Ele comentou:
“Foi uma reunião focada na economia, sem grandes novidades por enquanto.”
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