O ministro Dario Durigan sinalizou que pode viajar pessoalmente aos Estados Unidos para negociar contra a sobretaxa proposta pelo governo americano. A medida ameaça exportações brasileiras e preocupa o governo.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, declarou nesta terça-feira, 2, que não descarta a possibilidade de uma visita pessoal aos Estados Unidos para discutir a recomendação feita pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). Esta recomendação sugere a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, o que tem gerado preocupações no governo brasileiro.
Em entrevista ao Jornal Nacional, Durigan enfatizou a importância do contato, afirmando:
“Não afasto a hipótese de ir aos Estados Unidos ou entrar em contato com o Scott Bessent, o secretário do Tesouro”.
Ele também mencionou que o presidente Lula certamente buscará uma comunicação direta com o presidente Trump para evitar que essa medida seja implementada, considerando-a uma ação muito injusta.
O ministro ressaltou que a aplicação do aumento das tarifas ainda não é uma certeza. Segundo ele,
“Tem um período para confirmar. O ministro Mauro Vieira, das Relações Exteriores, estará amanhã na OCDE com o Jamieson Greer, representante comercial dos EUA, responsável por essa recomendação”.
A recomendação para taxar os produtos brasileiros em 25% foi divulgada pelo USTR no dia 1º e se baseia na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O órgão mencionou seis práticas que considera desarrazoadas ou discriminatórias, que oneram ou restringem o comércio dos EUA. Essas práticas incluem ordens secretas de censura, pagamentos eletrônicos via Pix, tarifas diferenciadas, combate à corrupção, proteção de propriedade intelectual, acesso ao etanol e desmatamento ilegal.
No mesmo dia, o USTR sugeriu uma nova tarifa contra o Brasil de 12,5%. Essa proposta inclui outros 60 países e é motivada pela falta de medidas eficazes para impedir a importação de produtos oriundos de nações que aceitam o trabalho forçado. Os países mencionados terão a oportunidade de apresentar defesa antes da decisão final do governo dos EUA.
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