O governo americano mira produtos brasileiros com novas tarifas após investigação apontar falhas na fiscalização do trabalho forçado. É o segundo embate comercial entre os dois países em menos de uma semana.
No dia 2 de junho de 2026, o Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR) anunciou a proposta de novas tarifas sobre produtos brasileiros. Essa decisão é o resultado de uma investigação realizada sob a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que concluiu que o Brasil e outras 59 economias não conseguiram impor e fiscalizar a proibição de importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.
Este é o segundo desafio comercial que o Brasil enfrenta diante do governo norte-americano em um curto espaço de tempo. Na segunda-feira anterior, o USTR encerrou uma investigação que classificou as políticas e práticas do governo brasileiro como irrazoáveis. Como consequência, o governo dos EUA propôs a aplicação de uma tarifa de 25% sobre mercadorias brasileiras, argumentando que as ações do Brasil oneram e restringem o comércio dos Estados Unidos.
Segundo o relatório do USTR, o Brasil faz parte de um grupo de 54 nações que não adotaram medidas efetivas para barrar a entrada de bens ligados à exploração laboral em seus territórios. O órgão destacou que essa falta de ação é considerada ‘irrazoável’ e gera restrições ao comércio dos EUA.
Em resposta, o governo norte-americano sugeriu taxas adicionais de 12,5% sobre produtos provenientes de países que não possuem proibições efetivas ao trabalho forçado, categoria que inclui o Brasil. Para economias que já apresentam algum nível de restrição ou acordos de reciprocidade, a tarifa proposta é de 10%.
“A falha de nossos parceiros comerciais mais importantes em lidar com a importação de bens feitos com trabalho forçado é inaceitável. Isso cria uma dinâmica onde os trabalhadores americanos são forçados a competir globalmente em um campo de jogo desigual”, declarou o embaixador Jamieson Greer.
O relatório também indica que a ausência de fiscalização por parte das economias investigadas distorce as condições de mercado para empresas que não utilizam trabalho forçado, contribuindo para a continuidade dessa prática em todo o mundo. Greer reafirmou a posição dos EUA: “Não toleraremos mais esta disparidade. Cada um de nossos parceiros comerciais deve fazer mais para garantir que o comércio não encoraje e consolide perversamente o trabalho forçado ao redor do globo”.
O USTR abriu um período de consulta pública para as medidas propostas, permitindo que interessados enviem comentários por escrito até o dia 6 de julho de 2026. Além disso, audiências públicas sobre as novas tarifas acontecerão no dia 7 de julho. Caso as taxas sejam confirmadas, elas incidirão sobre todos os produtos das economias investigadas, exceto itens específicos que serão detalhados em anexo no registro oficial.
A decisão da segunda-feira foi fundamentada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que apontou irregularidades em seis áreas principais: comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais desleais, medidas anticorrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e combate ao desmatamento ilegal.
No contexto digital, a investigação destacou ordens judiciais no Brasil para remoção de conteúdo e suspensão de perfis em redes sociais americanas, além de restrições a sistemas de pagamentos. Em relação ao etanol, o relatório afirma que o Brasil não oferece tratamento tarifário recíproco desde 2017. Apesar de ter leis contra o desmatamento, a eficácia de sua aplicação é questionada.
O embaixador Jamieson Greer mencionou que a investigação foi iniciada a pedido do presidente Donald Trump para tratar de preocupações comerciais persistentes. Embora tenham ocorrido reuniões entre Trump e o presidente Lula, as divergências entre as nações continuam significativas.
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