Washington anunciou tarifas de até 12,5% para 60 nações, mas excluiu produtos estratégicos da lista. Documento de 75 páginas detalha os itens poupados das restrições comerciais.
Na noite de terça-feira, 2 de junho de 2026, o governo dos Estados Unidos anunciou um novo conjunto de tarifas que afetará 60 parceiros comerciais. No entanto, uma vasta gama de produtos não será submetida a essas tarifas. Essa informação foi publicada em um anexo da decisão oficial, disponível no Federal Register, o diário oficial do governo americano.
O documento contém uma lista abrangente, com 75 páginas, de itens que ficarão isentos das tarifas de 10% ou 12,5% sugeridas, especialmente em razão do insucesso no combate ao trabalho forçado. Entre os produtos isentos, destacam-se carne bovina, aviões, suco de laranja, café, celulose, petróleo, terras raras e metais, além de muitos outros. Essa isenção representa alívio para diversos setores da economia, que dependerão desses itens no comércio internacional.
Por outro lado, a indústria têxtil será submetida a um mecanismo especial, que permitirá uma redução tarifária sobre um volume específico de vestuário importado para o mercado americano. Essa abordagem visa equilibrar os interesses do comércio, ao mesmo tempo em que mantém a vigilância sobre as práticas trabalhistas.
O Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR) propôs na mesma data novas tarifas sobre produtos brasileiros, resultado de uma investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Essa investigação concluiu que o Brasil, juntamente com outras 59 nações, não cumpriu com as obrigações de proibir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.
O relatório destaca que o Brasil e mais 54 países não implementaram medidas adequadas para impedir a entrada de produtos relacionados à exploração laboral. O órgão considerou que essa falta de ação é “irrazoável e sobrecarrega ou restringe o comércio dos EUA”.
Como resposta a essa situação, o governo norte-americano propôs taxas adicionais de 12,5% sobre produtos provenientes de países que não mantêm regimes de proibição ao trabalho forçado, incluindo o Brasil. Para as economias que já possuem algum nível de restrição ou acordos de reciprocidade, a tarifa sugerida é de 10%.
O embaixador Jamieson Greer expressou a preocupação dos Estados Unidos com a situação, afirmando: “A falha de nossos parceiros comerciais mais importantes em lidar com a importação de bens feitos com trabalho forçado é inaceitável. Isso cria uma dinâmica onde os trabalhadores americanos são forçados a competir globalmente em um campo de jogo desigual”.
O relatório também ressalta que a falta de fiscalização por parte das economias investigadas distorce as condições de mercado para empresas que não utilizam trabalho forçado, perpetuando essa prática em todo o mundo. Greer enfatizou a posição dos EUA: “Não toleraremos mais esta disparidade. Cada um de nossos parceiros comerciais deve fazer mais para garantir que o comércio não encoraje e consolide perversamente o trabalho forçado em todo o mundo”.
O USTR abriu um período de consulta pública para as medidas propostas, permitindo que interessados enviem comentários por escrito até o dia 6 de julho de 2026. Além disso, audiências públicas sobre as novas tarifas serão realizadas no dia 7 de julho. Caso as tarifas sejam confirmadas, elas afetarão todos os produtos das economias investigadas, exceto aqueles que estiverem especificamente listados no registro oficial.
Siga o Ensinando a Vencer e receba nossos conteúdos em primeira mão.






