A tensão no Oriente Médio escalou neste sábado após o Irã disparar mísseis contra aliados dos EUA na região. O ataque ameaça romper a trégua em vigor desde abril e mantém fechado o Estreito de Ormuz.
No último sábado, dia 6 de junho de 2026, o Irã respondeu a um ataque americano com o lançamento de vários mísseis direcionados ao Bahrein e ao Kuwait, países aliados dos EUA na região do Golfo. Esse episódio marca um aumento das hostilidades que ameaçam a trégua vigente desde abril.
Após semanas de negociações complexas, repletas de ameaças e episódios de violência, não foi possível chegar a um acordo para pôr fim à guerra e reabrir o Estreito de Ormuz, uma passagem crucial para o comércio global de combustíveis. As divergências entre as partes envolvidas incluem a gestão dessa passagem, o programa nuclear iraniano e as sanções impostas a Teerã. Além disso, os combates em curso no Líbano entre Israel e o movimento Hezbollah, que é pró-iraniano, dificultam os avanços nas negociações diplomáticas.
O pequeno reino do Bahrein, que abriga o quartel-general da Quinta Frota americana, denunciou o disparo de sete mísseis contra seu território e contra o Kuwait, sendo este o segundo ataque em três dias. Os comunicados emitidos pelos governos do Bahrein e do Kuwait condenaram a “agressão descarada” do Irã e alertaram sobre uma “escalada perigosa” na região.
“Fomos acordados por uma enorme explosão. As explosões eram muito fortes”, relatou Reem, uma mãe egípcia de dois filhos que reside no Kuwait. “Meus filhos ficaram apavorados e não conseguia acalmá-los”, acrescentou.
Desde o início da guerra, que teve início em 28 de fevereiro com um ataque israelense-americano contra o Irã, as monarquias do Golfo, que antes eram vistas como refúgios seguros, passaram a estar na linha de fogo da represália iraniana.
A situação se tornou ainda mais crítica após a entrada em vigor, no dia 8 de abril, de um frágil cessar-fogo, que, embora tenha sido respeitado em grande parte, foi marcado por hostilidades esporádicas. Na sexta-feira anterior ao ataque, o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) anunciou que suas forças derrubaram quatro drones que se dirigiam ao Estreito de Ormuz e atacaram duas instalações de radar no Irã, sem registrar feridos ou danos à sua infraestrutura militar.
Em resposta a essas ações, o Irã lançou mísseis contra “bases inimigas na região”, conforme afirmado pela Guarda Revolucionária, o exército ideológico do país. O Ministério das Relações Exteriores do Irã denunciou os ataques americanos como uma “violação flagrante do cessar-fogo”, considerando-os uma agressão à soberania nacional do Irã.
As tentativas de negociação têm se mostrado ineficazes, enquanto o conflito continua a ter repercussões significativas nos mercados globais e aumenta a pressão política sobre o presidente americano, Donald Trump, em um ano eleitoral. Mohsen Rezaei, assessor militar do líder supremo iraniano, declarou que as negociações estão em “ponto morto” e que é essencial desbloquear ativos iranianos congelados no exterior, avaliados em 24 bilhões de dólares.
“Esse é nosso dinheiro, não o dinheiro dos Estados Unidos”, afirmou Rezaei.
No Líbano, a situação também se agrava. O exército libanês informou que um ataque israelense no sul do país resultou na morte de três militares. As tensões permanecem altas, com o Hezbollah exigindo um cessar-fogo global e o desarmamento das forças israelenses. O presidente libanês, Joseph Aoun, fez um apelo para que o Irã não interfira em assuntos internos do Líbano, enfatizando que “este não é seu país, é o nosso”. O chanceler iraniano, Ahbas Araghchi, respondeu recomendando que Aoun se concentre na situação com Israel.
Os ataques israelenses contra o Líbano já deixaram mais de 3.560 mortos desde o início do conflito, enquanto do lado israelense, 27 militares e um funcionário civil perderam a vida.
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