A Capital B anunciou em 28 de agosto de 2026 que captou €21,0 milhões (US$24,5 milhões) por meio de uma colocação privada de ações. A operação foi realizada a €0,58 por ação ABSA, cada ação acompanhada por quatro warrants de subscrição de ações, sem oferta de direitos de subscrição preferenciais.
A captação contou com a participação de investidores relevantes, incluindo Adam Back, conhecido por seu trabalho no desenvolvimento de tecnologias para Bitcoin, e a gestora de ativos TOBAM. Esses recursos reforçam a estratégia da empresa de usar períodos de incerteza de mercado para fortalecer sua posição em Bitcoin.
Caso todos os warrants emitidos sejam exercidos, a Capital B receberá uma injeção adicional de €135,8 milhões (US$158 milhões) por meio da emissão de 144.876.280 ações ordinárias. A empresa se reservou o direito de acionar um período acelerado de exercício dos warrants caso o preço médio ponderado pelo volume (VWAP) de suas ações nos 20 pregões anteriores exceda 130% do preço de exercício da respectiva tranche de warrants.
A Capital B planeja usar os recursos captados para adquirir 270 Bitcoins (BTC), elevando suas participações totais para 3.415 BTC. Em termos de comparação, registros de mercado indicam que a empresa vinha detendo 3.139 BTC avaliados em menos de US$249 milhões, posicionando-a como a 29ª maior empresa de tesouraria de Bitcoin listada em bolsa. Esse montante ainda fica atrás da Bitcoin Group SE, com 3.605 BTC avaliados em menos de US$286 milhões, e é muito menor do que a maior delas, a Strategy, com 843.775 BTC avaliados em quase US$67 bilhões no momento da publicação.
O movimento de captação sucede uma proposta enviada pela Capital B ao seu conselho de administração no início de junho, que buscava autorizar até €5 bilhões (US$5,8 bilhões) em aumento de capital por meio da emissão de até 125 bilhões de ações ao valor nominal atual, além de até US$116 bilhões em instrumentos de crédito. Essa resolução foi submetida a votação e aprovada com 162.486.459 votos — 99,34% — a favor. Ao mesmo tempo, algumas empresas menores de tesouraria optaram por reduzir posições em Bitcoin em vez de ampliar exposição.
Do ponto de vista estratégico, a operação combina capital direto via ações com alavancagem opcional por meio de warrants, criando flexibilidade para a Capital B ampliar sua exposição a Bitcoin conforme as condições de mercado evoluam. A possibilidade de exercício massivo dos warrants também cria um potencial significativo de diluição acionária e ingresso de capital adicional, dependendo do comportamento do preço das ações nos pregões futuros.
Para gestores e investidores, a operação ilustra duas lições práticas: primeiro, aproveitar janelas de mercado para reforçar tesourarias pode ser parte de uma estratégia de acumulação; segundo, estruturar captações com instrumentos contingentes — como warrants — preserva liquidez imediata e opcionalidade futura. A decisão final sobre exercício dos warrants dependerá de critérios pré-estabelecidos de preço e da avaliação contínua do risco e retorno da exposição em Bitcoin.
Fonte: Cointelegraph Brasil
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