A EIP-8141 separa a conta que assina da que paga o gas, permitindo taxas em tokens ou que o app cubra os custos. Vitalik afirma que o desenvolvimento avançou muito e recomenda a documentação.
O EIP-8141 apresenta uma mudança técnica que pode reduzir barreiras de entrada para quem usa aplicativos baseados em Ethereum, ao permitir que a conta que assina uma transação seja diferente da conta que paga o gas. A proposta pode permitir que taxas de transação sejam pagas sem manter ETH na carteira, usando tokens como stablecoins ou permitindo que um aplicativo cubra o custo do gas em nome do usuário. O cofundador do Ethereum, Vitalik Buterin, comentou em sua conta no X que o desenvolvimento da proposta avançou de forma significativa nos últimos meses e recomendou a leitura da documentação técnica atualizada.
O documento coloca o EIP-8141 em estágio de rascunho e indica que ele não foi incluído no cronograma de nenhuma atualização específica da rede, conforme divulgado em 7 de setembro. Ainda assim, a proposta é apresentada como uma alteração capaz de remover um atrito comum: a necessidade de manter ETH apenas para custear taxas ao movimentar outros ativos.
No núcleo técnico, o EIP-8141 divide uma transação em até 64 frames, cada um processado como uma chamada comum de contrato inteligente. Um frame verifica a validade da transação, outro aprova quem vai cobrir o gas, e os demais executam a ação que o usuário deseja realizar. Com esse desenho, a conta que assina a transação e a conta que paga por ela podem ser separadas, abrindo possibilidades práticas como carteiras que pagam taxas com stablecoins ou modelos em que aplicativos patrocinam o custo de gas para melhorar a experiência do usuário.
Contas de propriedade externa (EOAs) existentes poderão adotar essas funções sem migrar para uma nova estrutura de carteira, por meio da definição de um default code. A proposta também inclui um recurso que agrupa múltiplas ações em uma única transação, de modo que todas as etapas tenham sucesso ou falhem juntas, reduzindo problemas como aprovações de token que ficam ativas após falhas em trocas.
Há semelhança com o mecanismo de patrocínio de gas do ERC-4337, mas este depende de um mempool separado e do pagamento a bundlers terceirizados. O EIP-8141 foi desenhado para operar diretamente no mempool público do Ethereum, permitindo que nós identifiquem a etapa de verificação antes de aceitar a transação.
Além da separação entre assinante e pagador, a proposta prevê separar a chave ECDSA usada para contas e assinaturas, com possibilidade de substituição de chaves — um ponto ligado à necessidade futura de assinaturas resistentes à computação quântica. O coautor Matt Garnett observou que essas assinaturas tendem a ser muito maiores que as atuais, o que pode exigir recursos como agregação de assinaturas para manter a rede eficiente.
Buterin também mencionou uma testnet executada no cliente Srex, que combina os frames com o mecanismo de resistência à censura conhecido como FOCIL, visando permitir que protocolos de privacidade operem sem depender de relayers. Esse experimento técnico, porém, não equivale a aprovação, ativação em mainnet ou definição de cronograma. Por enquanto, o EIP-8141 segue como uma discussão de design em estágio de rascunho; caso avance, seu alcance pode incluir compatibilidade de carteiras, transações em lote e mudanças na estrutura de contas do Ethereum.
Fonte: CriptoFacil
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