Os investimentos em saneamento no Brasil devem atingir o pico em 2027, com R$ 44,2 bilhões. É o que aponta levantamento conjunto do Itaú BBA com a consultoria Inter.B.
O número do período
Entre 2026 e 2030, o montante já contratado e anunciado soma R$ 201,5 bilhões — média anual de R$ 40,3 bilhões.
A conta que não fecha
Aqui está o dado mais relevante do estudo, e ele é desconfortável.
Para universalizar o serviço até 2033, o país precisaria investir R$ 95,2 bilhões por ano. O que está projetado é R$ 40,3 bilhões — ou seja, menos da metade do necessário.
A necessidade total para chegar à universalização é estimada em cerca de R$ 1,2 trilhão. O estoque de ativos do setor até 2025 foi calculado em R$ 560 bilhões.
O que o marco legal exige
O Marco do Saneamento, de 2020, fixou duas metas para o fim de 2033:
- Água tratada para 99% da população;
- Coleta e tratamento de esgoto para 90%.
O que já saiu do papel
Desde a aprovação do marco, foram realizados 70 leilões, que geraram a contratação de R$ 227,5 bilhões em investimentos.
Há ainda mais de 30 projetos em elaboração, envolvendo 640 municípios e previsão de R$ 32 bilhões. Depois de 2033, a manutenção do sistema exigiria R$ 20 bilhões por ano.
“As maiores oportunidades do mundo estão no Brasil”
Rogério Yamashita, responsável pela área de infraestrutura em project finance do Itaú BBA, resumiu a leitura do banco:
“No mundo todo, as maiores oportunidades (para investimento) em saneamento estão no Brasil. Tem muita coisa por fazer por aqui.”
Ele apontou que as debêntures incentivadas já somam R$ 67 bilhões em emissões do setor. Sobre os pedidos de reequilíbrio contratual que vêm aparecendo, foi direto: são “dores do crescimento acelerado”.
O dinheiro estrangeiro já está aqui
Eduardo Corsetti, co-diretor da área de infraestrutura e energia, destacou o apetite de fora:
“Tem muito interesse de estrangeiros no setor.”
Ele citou dois exemplos concretos: o fundo soberano de Cingapura, sócio da Aegea, e o fundo de pensão canadense CPP, sócio da Iguá. O atrativo, segundo ele, é a “resiliência com contratos de concessão de longuíssimo prazo”.
Corsetti informou ainda que o Itaú BBA ampliou em 25% a carteira em saneamento na comparação anual, dentro do compromisso do banco de investir R$ 1 trilhão até 2030 em setores com impacto social.
Como ler isso
O estudo não traz recomendações de compra nem preços-alvo para ações do setor. O que ele oferece é dimensionamento: há demanda contratada crescente, capital estrangeiro entrando e um déficit estrutural de investimento que a meta de 2033 provavelmente não vai cobrir no ritmo atual.
Com informações do Investing.com Brasil. Este conteúdo é informativo e não constitui recomendação de investimento.
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