No Chain Reaction, Federico Variola afirmou que a IA provoca um 'saldo negativo' no setor cripto, desviando capital e fortalecendo agentes mal-intencionados. Ele também citou aumento de custos e fragilidades na segurança.
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O CEO da Phemex, Federico Variola, afirmou que a inteligência artificial (IA) tem gerado um “saldo negativo” para o ecossistema das criptomoedas, por desviar capital para outros setores e por fortalecer agentes mal-intencionados. A avaliação foi feita durante participação no evento Chain Reaction, onde Variola também destacou o impacto sobre custos e estruturas de segurança que, na sua visão, estão pressionando o setor rumo a maior centralização.
Variola ressaltou que a adoção e a difusão da IA criaram duas forças opostas: por um lado, atraíram liquidez e atenção; por outro, facilitaram ataques mais sofisticados e elevaram as despesas de cibersegurança para equipes menores.
“É difícil ser otimista em relação à IA nas criptomoedas”
“A liquidez foi significativamente desviada para esse setor, por um lado. Por outro, a IA fortaleceu muitos agentes mal-intencionados que vêm explorando protocolos.”
O posicionamento de Variola ganha contexto em episódios recentes que ligam ferramentas de IA a falhas exploradas: em julho, invasores conseguiram drenar aproximadamente US$ 116 milhões em Bitcoin de mais de 5.200 endereços afetados por uma vulnerabilidade em uma carteira de hardware Coldcard, falha que pesquisadores acreditam ter sido descoberta com apoio de técnicas automatizadas.
Rodolfo Novak, CEO da Coinkite, havia alertado desenvolvedores sobre a nova realidade da revisão de código assistida por IA. Na avaliação de Novak, a capacidade da IA para identificar bugs pode superar a detecção manual de especialistas, elevando o padrão de armamentos na ofensiva contra protocolos.
“A realidade sóbria é que a revisão de código assistida por IA agora pode encontrar bugs que superam a capacidade dos especialistas mais experientes do setor.”
Variola acrescentou que equipes pequenas de projetos cripto terão de operar com orçamentos de cibersegurança muito maiores, sob pena de se tornarem alvos fáceis. Esse custo adicional tende a favorecer players maiores e soluções mais centralizadas, na medida em que só organizações com grande capital conseguem sustentar defesas robustas.
Ao mesmo tempo, especialistas de segurança reconhecem o potencial defensivo da IA. Natalie Newson, pesquisadora sênior de blockchain da CertiK, destacou que a tecnologia pode virar uma proteção importante, ainda que também torne os ataques mais sofisticados.
“A IA também pode ser uma das maiores defesas”
Apesar do tom crítico sobre efeitos sistêmicos, Variola identificou usos práticos e positivos da IA para investidores, sobretudo na montagem de portfólios e no suporte a decisões de negociação. Contudo, ele deixou claro que não acredita em substituição total do julgamento humano nesses processos.
“No fim das contas, ainda caberá ao usuário tomar a decisão final. Portanto, não acho que os agentes jamais substituirão essa ação de realizar a negociação.”
O balanço apresentado por Variola é, portanto, misto: reconhecimento de benefícios pontuais combinados com alerta sobre riscos estruturais que podem alterar a dinâmica de descentralização e tornar o ambiente cripto mais custoso e concentrado. Para equipes e usuários, a mensagem prática é clara: é preciso ajustar estratégias de segurança, avaliar custos e aproveitar ferramentas de IA com cautela, sem perder de vista a necessidade de supervisão e governança humana.
Fonte: Cointelegraph Brasil
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