Três CEOs de IA debateram ritmo, riscos e adoção na conferência Dreamforce. Dario Amodei pediu desaceleração e alertou que apenas 5% a 10% do valor econômico da IA foi aproveitado.
Em San Francisco, três dos principais CEOs do setor de inteligência artificial expuseram pontos de vista distintos sobre ritmo, riscos e adoção da tecnologia durante o Dreamforce, conferência anual da Salesforce. As falas ocorreram na terça-feira (15) e enfatizaram um dilema prático: como acelerar benefícios econômicos sem abrir mão da segurança.
Dario Amodei, CEO da Anthropic, defendeu uma desaceleração no desenvolvimento dos modelos de ponta. Ele destacou também o potencial econômico ainda pouco explorado da IA, ao apontar que apenas entre 5% e 10% do valor que a tecnologia pode gerar estaria sendo efetivamente aproveitado pela economia. Amodei afirmou que as empresas precisam de ajuda para implementar IA em larga escala e transformar capacidades técnicas em ganhos concretos de produtividade.
Marc Benioff, CEO da Salesforce, participou das conversas e alinhou-se à necessidade de apoiar clientes na adoção. Durante a conversa com Amodei, Benioff destacou que a implementação vinha ocorrendo de forma desigual entre os clientes da Salesforce.
Temos que fazer mais para ajudá-los a acelerar essa transformação
Jensen Huang, CEO da Nvidia, expôs uma visão diferente ao participar da keynote em separado. Huang sustentou que forças de mercado e práticas de engenharia internas poderiam pressionar as empresas a entregar produtos seguros, rejeitando a necessidade imediata de novas leis ou regulações.
Não precisamos de novas leis — não precisamos de novas regulações
É uma escolha falsa. Você pode definitivamente ter os dois ao mesmo tempo.
Huang reforçou que a segurança deve ser prioridade e que segurança é, em grande parte, um problema de engenharia. Ele também afirmou que empresas devem estar prontas para pausar o desenvolvimento caso não tenham confiança na segurança de um produto.
Segurança é primordial. Em muitos aspectos, é a prioridade número um. Mas segurança é um problema de engenharia
Corra o mais rápido que puder. Mas, se em algum momento você sentir que a empresa está fora de controle ou que o produto não será seguro, faça uma pausa e certifique-se de acertar.
Horas depois, Sam Altman, CEO da OpenAI, falou em outra apresentação do evento e expressou confiança na capacidade das empresas do setor de desenvolver tecnologia com segurança, ao mesmo tempo em que disse estar decepcionado com a forma como alguns debates sobre segurança vêm sendo apresentados.
Estou muito confiante na capacidade da nossa empresa — e da nossa indústria — de fazer isso com segurança
No palco do Dreamforce também houve anúncios práticos de integração: a Salesforce, em parceria com a Nvidia, apresentou o Koa, um modelo de raciocínio para o Agentforce baseado em um modelo da família Nemotron. A empresa ampliou ainda sua parceria com a Anthropic para integrar o Claude a seus produtos — movimentos que mostram foco na aplicação imediata das tecnologias já disponíveis.
A discussão expôs duas frentes complementares: o cuidado na engenharia e nos mecanismos de segurança por um lado, e a urgência em transformar capacidade técnica em produtividade por outro. Essas posições delinearam caminhos distintos, mas interligados, para quem trabalha na transição entre pesquisa e produto e para empresas que precisam acelerar adoção com segurança.
O jornalista viajou a San Francisco a convite da Salesforce.


Fonte: InfoMoney – Mercado
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