A medida provisória 1.394, que proíbe as apostas online conhecidas como bets, já afeta os fluxos de pagamento no país e pode representar um impacto relevante para algumas empresas de maquininhas e processamento. Dados iniciais mostraram que as transações via Pix caíram 10% nos três dias seguintes à regulamentação, sinalizando perda de volume em canais que concentravam grande parte dos depósitos relacionados ao mercado de apostas.
Apenas no primeiro semestre deste ano, as operadoras licenciadas movimentaram R$ 88,5 bilhões em depósitos, com a grande maioria das transações ocorrendo via Pix. Cartões de crédito não podem ser utilizados em apostas e, por isso, ficam de fora desse cálculo, o que torna o efeito da proibição mais concentrado nas soluções de pagamento instantâneo.
Para o Bank of America, a proibição adiciona um risco de queda para as ações da PagBank (BDR: PAGS34) e da Stone (BDR: STOC34). Ainda assim, o banco manteve a recomendação neutra para ambas as companhias, em expectativa da aprovação (ou não) pelo Congresso. A MP 1.394 já foi contestada no Supremo Tribunal Federal (STF) por agentes e membros do mercado. Mesmo sem a aprovação, ela já está em vigor e deve reduzir de maneira considerável os volumes de apostas em outubro.
Os cálculos do BofA estimam que as apostas online representem de 4% a 6% do volume financeiro total de pagamentos processados pela PagBank. Esse número sugere que a empresa processou, sozinha, cerca de 8% do volume de apostas no Brasil. A PagBank construiu uma base de clientes mais concentrada em grandes contas, no e-commerce e em operações cross-border, além de clientes do mercado de apostas, o que amplia sua exposição a uma queda nessas transações.
Para a PagBank, os riscos de queda ainda se somam a uma perspectiva já desafiadora para o trimestre. Segundo o BofA, a instituição já teria de lidar com queda dos take rates, competição intensa no setor e um aumento das provisões para operações de crédito. Com o adicional da proibição, o lucro líquido da PagBank pode encolher de 1% a 3% em 2027.
A Stone, por sua vez, não tem exposição a esse mercado em nível similar. A instituição manteve o foco no segmento de micro, pequenas e médias empresas e não deve ser impactada pela mudança, segundo os analistas mencionados.
No plano prático, a proibição tende a forçar provedores de pagamento a reavaliar mix de clientes e fontes de receita, acelerando estratégias de diversificação e foco em segmentos menos expostos a riscos regulatórios. Para investidores e gestores, manter atenção às comunicações oficiais das companhias e às decisões do Congresso e do STF será essencial para calibrar cenários de receita e provisões nos próximos trimestres.


Fonte: InfoMoney – Mercado
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